Quando descobriu, no dia 25 de setembro de 2007, que as suas dores e febres constantes não eram crises de virose e, sim, leucemia aguda, o sapateiro Eric Alves, 28, teve de interromper sua rotina de trabalho e até o lazer com a família para o tratamento. Eric perdeu 11 quilos em cinco meses e a conta dos dias de internação no Hospital do Câncer de Franca. Só não perdeu a esperança de conseguir um doador de medula óssea compatível para o seu transplante.
As buscas começaram assim que os tratamentos injetáveis e via oral não corresponderam. No Redome (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea), onde são cadastrados hoje 1,2 milhões doadores de todo o país, não havia ninguém compatível para Eric. Dos três irmãos, dois fizeram o exame e o resultado foi negativo. Por quase dois anos, Eric esperou que o irmão, o eletricista Lucas Alves, 23, retornasse para a cidade para a realização do exame.
Quando voltou, Lucas fez os testes que comprovaram dias melhores para toda a família. “Foi uma surpresa enorme para mim. Meu irmão vai me devolver a vida”, disse Eric. O transplante foi marcado para próximo dia 27 de fevereiro, no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, único local da região a realizar cirurgias desse tipo.
Por sorte, Eric terá um final feliz. Nem sempre é assim. As chances de se encontrar um doador entre irmãos (mesmo pai e mesma mãe) é de 25%. Fora da família, a probabilidade cai para uma em 100 mil.
Por existir essa dificuldade, a Ordem Demolay e o Hemocentro promovem, hoje, das 9 às 15 horas, a 1ª Campanha de Cadastramento de Medula Óssea, na Concha Acústica, na Praça Nossa Senhora da Conceição. Os candidatos precisam levar documentos pessoais, ter entre 18 e 55 anos, acima de 50 quilos e não ter problemas de saúde. Haverá a coleta de 10 ml de sangue e o cadastro no Redome, onde os dados ficam disponíveis nas centrais de todo o país, por tempo indeterminado.
Não é necessário jejum para participar. Se convocado, o doador passa por testes clínicos que detectam a compatibilidade entre o paciente. Para o doador, a cirurgia dura no máximo duas horas e não é preciso internação. O transplantado demora até seis meses para a reabilitação.
O hematologista Marco Benedetti Filho disse que a medula óssea é um tecido gelatinoso que ocupa o interior dos ossos. Nela são produzidos os componentes do sangue: as hemácias (glóbulos vermelhos), os leucócitos (glóbulos brancos) e as plaquetas. O transplante de medula óssea é um recurso para tratar doenças, como leucemia e linfoma. Segundo Marco, em Franca, existem aproximadamente mais de 3 mil doadores cadastrados no Redome.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.