Corre-corre, estresse, vida moderna. Cuidar bem da alimentação é um dos desafios do cotidiano corrido de quem vive nos grandes centros urbanos. No Brasil, por incrível que pareça, enquanto 30% da população passam fome, outros 30% são considerados obesos.
A prevenção e o combate à obesidade viraram um grande negócio nas últimas décadas. É só ver o crescimento da indústria de alimentos integrais, equipamentos para manter a forma e tênis para a primeira e única caminhada. Junte a isso os spas, os serviços de lipoaspiração e as cirurgias para redução do estômago e você têm o lado médico dessa cadeia alimentar de serviços que cresce mais que barriga.
A medicina avança em todos os setores com botas de sete léguas, mas ainda titubeia no campo da gordura. Diz que dentro de cada gordo tem um magro lutando desesperadamente para sair. E empurra nos infelizes tudo o que vem escrito light, que custa uma fortuna, além de papinhas insossas, leite desnatado, iogurte, gelatinas dietéticas horrorosas e até galinhas mortuárias cozidas no vapor (aarrgh!).
Momento crítico ocorre quando o gordinho se olha no espelho e começa a não reconhecer suas formas e a se perceber roliço. Senti isso depois de ganhar uns quilos extras em consequência da falta de exercício e das horas e horas sentado frente ao computador escrevendo, ou então, bebendo minha cervejinha sem remorsos, assistindo a um bom jogo de futebol na TV.
Quem conhece um gordinho de perto sabe que, a cada vez que ele vai vestir-se, tem um dissabor. Geralmente a calça encurta e não fecha mais o botão do cós, a blusa fica justa, o sapato aperta e, o pior, quando vai comprar roupas (o gordo está sempre precisando de roupa), tem que assumir uma numeração maior. Os homens ainda enganam botando o camisão para fora da calça, mas pobres das mulheres com a moda da barriga de fora. Algumas ficam literalmente assim, do lado de fora.
Reparem quando um gordo chega numa festa de aniversário, batizado, ou casamento. É aquele alvoroço. Todos apontam uma cadeira de madeira, com medo que ele resolva sentar-se numa de plástico e provoque uma tragédia. Na falta da cadeira de madeira, juntam duas de plásticos, uma sobre a outra e o coitado do gordo se sobressai na festa, fica mais alto que os outros convidados, com as pernas balançando, longe do solo, parecendo rei momo numa quaresma. E balança em farmácias, então... Não me desmintam, o gordo consegue atravessar uma avenida movimentada correndo, para não se deparar com ela.
A imensa maioria dos especialistas, que em desespero de causa o gordo procura, proíbe carnes vermelhas gordas. Devem ser preferidas, dizem eles, as brancas e magras. São uns racistas, lógico. Nossos índios, nada racistas, comiam perfeitamente, e com o maior gosto, tanto peixes quanto portugueses e franceses, de preferência gordos, vivendo na melhor saúde. Quanto aos peles-vermelhas da América do Norte não me consta que comessem os colonizadores ingleses. Preferiam búfalos, de carne vermelha, no que faziam muito bem. Os relatos que nos chegaram revelam que a carne do inglês é absolutamente insossa, além de dura como sapato velho.
Sei que a vida de gordinho não é fácil. Afora a gordura, o sentimento de culpa é o maior peso que carrega consigo. E que fardo pesado esse! Sabe que não deve comer tanto, mas não consegue disciplinar-se. E assim vão-se os dias, os meses, os anos. Vão se inflando como uma bexiga, só que, diferentemente dessa, ficam bem pesadinhos, comprometendo a estrutura da cadeira em que sentam, da cama em que deitam, das poltronas que ocupam no avião, sempre se mortificando e fazendo penitência, emagrecendo nos spas e recuperando a banha nos fast-food.
<b>SERÁ O BENEDITO?</b>
O relatório da ONU aponta que as taxas de pobreza dos povos indígenas estão acima do resto da população em vários países da América Latina. De onde tiraram isso, nem imagino. Que eu saiba, índio que é índio quer apito e não dólares; portanto, não pode haver índice de pobreza numa sociedade sem noção do mercado. Ora, se o índio, ao viver a vida natural, pescando, caçando e tomando banho, nada amealha, como classificá-lo em faixas de consumo? A não ser que tenha sido implantada o Bolsa Floresta e a gente não tenha ainda se dado conta disso.
<b>NEGATIVO</b>
É impressionante a quantidade de folhetos de propaganda que se recebe nas ruas do centro e em alguns bairros de Franca. Seja pedestre ou motorista, ao passar pelas calçadas ou parar nos semáforos, sempre receberá pelo menos meia dúzia de folhetos. Muitos destes são jogados no meio da rua, em poucos segundos, sujando ainda mais a cidade.
<b>POSITIVO</b>
Para quem só pensa em trabalho e lucro, uma ótima notícia: o Brasil subiu cinco posições no ranking mundial de qualidade de vida entre 200 países. Para surpresa de muitos, os itens responsáveis por isso foram, justamente, lazer e cultura, o que, infelizmente, muitos governantes e empresários ainda consideram supérfluos para a população.
<b>GORDO NO ÔNIBUS</b>
Dona Clotilde entra com seus 17 filhos em um ônibus. 12 filhos conseguem sentar e 5 ficam em pé. E o ônibus vai enchendo mais. Então dona Clotilde olha pra um gordo que está todo folgado em um dos bancos.
- Se o senhor fechasse as pernas, teria lugar pra um dos meus filhos sentar, sabia?
- Ah é? E se a senhora fechasse as pernas, teria lugar para todo mundo sentar neste ônibus!
<b>Edward de Souza</b>
Jornalista e radialista - edward@comerciodafranca.com.br
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