Ebraim de Melo é totalmente independente. Mora sozinho. Cozinha, lava a roupa e limpa a casa. Quando não está envolvido com os afazeres domésticos, ocupa o tempo livre com leituras da Bíblia ou escuta música. Ebraim tem 82 anos e há 15 mora em uma casa de três cômodos dentro do Lar São José, em <b>Itirapuã</b>. Ele brinca dizendo que mora em um condomínio fechado. O que não deixa de ser verdade. Nos fundos do Lar foram construídas três casas para abrigar idosos que são independentes e não necessitam de ajuda o tempo todo. Os vizinhos de Ebraim são outros 20 idosos com idades até 98 anos que moram no asilo.
Ebraim esbanja saúde e se orgulha em dizer que não toma remédio “nem para dormir”. “Às vezes acordo às 2 horas da manhã. Quando não consigo voltar a dormir vou ler a Bíblia”, disse ele feliz com sua liberdade. Como sai muito de casa, Ebraim decidiu colocar a geladeira na área fora da cozinha para que os vizinhos também possam usá-la.
Um destes vizinhos é Evaristo Alves de Pereira, 78 anos, cinco de asilo. Solteiro, disse que escolheu morar no Lar porque tinha problemas com a cunhada. “Que sossego que é aqui. Tenho um quarto só para mim. Levanto a hora que eu quero e ainda tem gente para fazer as coisas para mim”. Pereira não é muito fã do fogão. “Eu prefiro comer a comida feita pelas mulheres do lar, é mais gostosa que a minha. Mas sei cozinhar”, garante. A casa quem limpa é uma sobrinha.
Dentro do Lar São José, a vida transcorre mais devagar. A maioria dos idosos passa o dia sentada na grande varanda de frente para a rua. Conversam com quem chega ou apenas observam. Vicente Pereira da Silva, 98, ficou viúvo há seis meses e não pensou duas vezes. Mudou-se para o Lar. Na bagagem, apenas uma velha cama e roupas. A tristeza pela ausência da mulher foi trocada pelas conversas com os novos amigos. “Gosto muito de conversar, mas também adoro ver uma novela e ler a Bíblia”, disse Vicente, pai de nove filhos, 45 netos e 16 bisnetos.
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Dalvina Lopes chegou ao lar aos 78 anos. Lá se vão dez anos. A mulher de corpo franzino é vaidosa. Pinta as unhas de vermelho e mantém os cabelos brancos arrumados. Passa boa parte do dia no quarto, bordando. Já recebeu bronca do médico por conta das dores nas costas. “Todos elogiam o meu trabalho, mas na hora de comprar não pagam mais que R$ 5”, diz.
Luzia Augusta da Silva, 55, apesar de ser uma das mais novas do Lar São José, fala com dificuldades e a memória anda falhando. Vítima de um derrame ocorrido há anos, passa o dia na cadeira de rodas. Nem lembra direito há quanto tempo chegou ao asilo. “Ah! Até já perdi a conta”. Ela conta como foi parar no local. “Morava com minha filha, mas ela tinha que trabalhar e eu ficava sozinha”, disse a mãe de sete filhos e vários netos. Luzia é uma privilegiada. É a única que tem uma TV no quarto. Seu maior orgulho é conseguir usar o controle remoto sozinha.
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