Os idosos atendidos pela rede pública de Saúde de Franca e que necessitam de atenção especializada contam com apenas um médico geriatra para atendê-los. Para chegar até ele, que atua no ambulatório do CCI (Centro de Convivência do Idoso), é preciso apresentar doenças características da idade - como osteoporose e mal de Alzheimer. A carência do profissional não é restrita à rede pública. Em Franca, para atender os três hospitais - Santa Casa, Regional e Unimed - há apenas quatro geriatras.
Para não sobrecarregar os atendimentos no ambulatório, que chegam a 300 por semana, outros especialistas ajudam. São médicos capacitados para tratar o idoso em áreas específicas como ginecologia, fisiatria, reumatologia, clínico geral, além de psicologia e fisioterapia.
O Ministério da Saúde estima que existam em Franca 34 mil pessoas acima de 60 anos, mas nem a metade desse número conseguirá, caso queira, consultar-se com um geriatra. O CCI, por exemplo, tem 8 mil pacientes cadastrados e que são distribuídos para todos os profissionais que lá atuam, não apenas o geriatra. Os demais usuários da rede pública são atendidos nas Unidades Básicas de Saúde por clínicos-gerais. “São realizados treinamentos nas unidades para acolher esse idoso. Caso necessário, ele é encaminhado ao CCI”, explica o secretário de Saúde, Alexandre Ferreira.
A Prefeitura pretende contratar ao menos mais um para dar suporte no ambulatório, mas faltam candidatos. No concurso realizado em junho do ano passado, não houve interessados. No próximo concurso, que será em fevereiro, a vaga volta a ser oferecida. “Mais um iria somar conhecimento a esse grupo que trata doenças específicas desse público”, disse Alexandre. Para ele, o profissional realmente faz falta. “O número de idosos no país vem aumentando. As pessoas estão vivendo mais e não temos a formação médica suficiente para dar conta da demanda”.
Para o geriatra Paulo Silva Santos, a deficiência de profissionais na área pode, sim, ser suprida pelos médicos das outras especialidades que são capacitados para tratar o idoso. “É interessante que seja encaminhado (para o geriatra) aquele paciente fragilizado. Os outros podem ser atendidos por especialistas e clínicos. Além disso, os programas voltados aos idosos também têm ajudado a melhorar a qualidade de vida dessas pessoas”, opina Paulo.
Quanto ao baixo número de geriatras na cidade, ele atribui à criteriosa seleção feita pela Sociedade de Medicina. Segundo Paulo, o médico precisa passar por várias etapas para atuar na área, que vão dos cursos de especialização a prova escrita, testes de aptidão e prova oral.
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