Agricultura, indústria e construção ‘salvam’ as vendas de caminhões


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<b>ESTOQUE LIMPO</b>  - O gestor da Santa Emília Caminhões, José Carlos Augusto de Sousa mostra uma das poucas unidades disponíveis na concessionária. Vendas em crescimento têm feito pátio ficar
<b>ESTOQUE LIMPO</b> - O gestor da Santa Emília Caminhões, José Carlos Augusto de Sousa mostra uma das poucas unidades disponíveis na concessionária. Vendas em crescimento têm feito pátio ficar
O bom momento dos setores agrícola, industrial e de material de construção conseguiu salvar o mercado de caminhões do abismo em 2009. Em um ano em que os resultados esperados eram os piores possíveis, a venda de veículos pesados surpreendeu e evitou uma queda de 30%. Ao longo de todo o ano, foram vendidas 376 unidades para Franca e região, uma redução de apenas 11% se comparado aos 422 caminhões vendidos no ano anterior. Com um começo de ano fraco, a venda de caminhões só deslanchou a partir do segundo semestre, mas depois até provocou falta de unidades para entrega imediata. Gerente da Ribeirão Diesel, concessionária Mercedes Benz na cidade, José Donizeti Cadorinho disse que o prazo de entrega se estendeu a 90 dias, pois as montadoras não estavam preparadas para a demanda. “A recuperação foi rápida e faltaram produtos. As fábricas foram pegas de surpresa, o que atrasou as entregas”. O “boom” na procura é, segundo as duas concessionárias da cidade, reflexo da boa fase da agricultura, em especial da cana de açúcar e do aquecimento nos setores de materiais de construção, transporte e industrial. No caso de Franca, os curtumes e transportadoras foram os principais compradores. “O bom andamento desses setores favoreceu o mercado de caminhões, que também foi beneficiado com a redução de taxas e linhas de créditos mais favoráveis”, disse o gerente da Santa Emília Caminhões, concessionária Volkswagen, André Botelho. Somente na filial de Franca, a empresa vendeu no ano passado 105 caminhões, quase 20 a mais em relação ao mesmo período do ano anterior. “O governo incentivou a compra de caminhões, mas diferente de um carro, ninguém compra ou troca se não precisar. Caminhão é uma ferramenta de trabalho”. Na cidade, o preço médio de um caminhão é de R$ 130 mil. Valor que pode ser financiado em até 96 meses. Segundo o gestor de filial, José Carlos Augusto de Sousa, a carência na compra de um caminhão novo é de três anos. <b>MARÉ FAVORÁVEL</b> O empresário da construção civil Hugo Sérgio Moreira resolveu aproveitar a economia favorável do setor em que trabalha e as facilidades na concessão de crédito para renovar a frota de caminhões da concreteira que possui em Franca. Hugo financiou uma carreta no fim do ano passado e está em negociação para a compra de dois novos caminhões betoneira. “Os juros estão mais baixos, houve redução de IPI e o mercado da construção civil está estável, tudo isso favoreceu”, disse o empresário. Anteriormente, Hugo pagava frete pelo transporte de areia e pedra que era feito por terceiros. Como a demanda aumentou, o empresário resolveu investir na compra de um caminhão próprio. “Tem compensado mais comprar um novo”. Para a economista Rosalinda Chedian Pimentel, que também é reitora da Unifran (Universidade de Franca), a recuperação na venda de caminhões mostra que há produção para ser transportada e facilidades na aquisição do veículo. “É uma cadeia onde se um setor está fortalecido e os demais fragilizados, ele consegue alavancar o outro. Caminhão é um instrumento dentro das atividades econômicas fundamentais, pois é por meio dele que se faz toda distribuição de mercadorias e serviços. Se as vendas estão em crescimento, é sinal que há produção para ser vendida e que o setor de logística está sempre aquecido”. Colaborou Patrícia Paim

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