Bispo ordenado em Franca recebe ameaças de morte


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Dom Ângelo Pignoli, 62, que foi ordenado bispo em Franca após ter atuado por três décadas na cidade, tem recebido ameaças de morte em Quixadá, no Ceará (a cerca de 3 mil quilômetros de Franca). Por nomeação do Papa Bento 16, Dom Ângelo deixou a Paróquia Sant’ana, no Jardim Aeroporto I, onde trabalhou por cinco anos, em março de 2007 para assumir a diocese no sertão cearense. Nos últimos dois meses ele teria recebido quatro telefonemas e uma carta anônima na qual o remetente teria deixado claro que o religioso pode ser assassinado a qualquer momento. No dia 2 de dezembro, o bispo entregou a carta à Secretaria de Segurança Pública do Estado Ceará e chegou a pedir proteção policial. As ameaças marcam o ponto mais violento de uma polêmica que começou na diocese em outubro do ano passado. Segundo reportagem do jornal <i>O Povo</i>, de Fortaleza (CE), publicada no dia 3 de dezembro, Dom Ângelo teria pedido a realização de uma auditoria nas contas da Faculdade Católica Rainha do Sertão, pertencente ao bispado, além de ter feito a venda de imóveis, entre eles um terreno pertencente ao Hospital Maternidade Jesus, Maria e José, também mantido pela diocese. Ainda segundo <i>O Povo</i>, pessoas ligadas ao ex-bispo de Quixadá, Dom Adélio Tomasin - que ficou à frente da diocese por duas décadas, ajudou a construir grande parte do patrimônio e foi nomeado chanceler da Faculdade pelo próprio Dom Ângelo -, teria ficado chateado com as atitudes de seu sucessor e chegado a manifestar o desejo de deixar a cidade. Um grupo não aceitou o modo de trabalho de Dom Ângelo e criou o “Movimento Fica Dom Adélio e em defesa da Diocese de Quixadá”, ocasionando um racha na diocese. A divergência entre os dois bispos ganhou as ruas com carreatas e adesivos. Até um abaixo assinado em defesa de Dom Adélio foi feito. Procurado ontem, ele não foi localizado. No dia 23 de novembro do ano passado, Dom Ângelo elaborou uma carta e a publicou no site da diocese (www.diocesequixada.org). No texto, que ainda está disponível na internet, explica que o pedido de auditoria na Faculdade Católica seria para “percepção mais exata e objetiva da sua situação estática e dinâmica”. Em outro trecho, o bispo diz “que tal decisão não significa desconfiança de ninguém. Trata-se de uma medida de acompanhamento e controle, legítima e normal numa administração moderna”. A princípio, a carta não conseguiu acalmar os ânimos. No dia 2 de dezembro, Dom Ângelo procurou a Secretaria de Segurança Pública do Ceará para entregar a carta com ameaças. Procurado pelo <b>Comércio</b>, ontem, Dom Ângelo não foi encontrado em Quixadá. Seu secretário, identificado como diácono Adriano, disse que o bispo está de férias no Estado de São Paulo e só retornará para o Ceará no dia 25 de janeiro. Adriano disse ainda que ninguém na diocese estava autorizado a falar sobre as ameaças. Existe possibilidade do bispo estar na região de Franca, com chances de celebrar uma missa, porém, na Cúria Diocesana em Franca, não há confirmação da vinda de Dom Ângelo para a cidade. Na Secretaria de Segurança Pública do Ceará, a assessoria de imprensa confirmou as denúncias feitas pelo bispo e disse que o caso está sendo investigado, mas que ainda não foi possível identificar o autor das ameaças.

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