Durante 15 anos o aposentado José Comparini Sobrinho, 85, morador do Bairro Cubatão, manteve uma rotina. Acordava todas as manhãs e seguia caminhando para trabalhar na oficina dos filhos, situada no cruzamento da Alonso y Alonso com a Rua Ângelo Pedro. Fez o percurso pela última vez no dia 12 de fevereiro de 2009.
Eram 8h30 e ele estava na calçada a cerca de 30 metros do serviço. Foi quando uma Nissan não obedeceu o pare e bateu em um Monza. O carro foi arremessando contra a parede e prensou o corpo dele. “O carro veio para cima de mim. Não tive como fazer nada. Só escutei o barulho e cai. Foi uma dor terrível. Quando acordei, já estava no hospital”. José Comparini machucou o braço, sofreu um corte profundo na perna direita (foram necessários 18 pontos para fazer a sutura) e teve a perna esquerda decepada.
Ficou dois dias na UTI e recebeu alta três dias depois. Passa a maior parte do tempo deitado em uma cama e usa uma cadeira de rodas para se locomover. Não se adaptou à prótese. Conta com a ajuda da mulher, dos filhos e de um enfermeiro para fazer pequenas coisas, como assistir televisão e ir ao banheiro. “Minha vida mudou muito, quase acabou. Praticamente, fiquei inutilizado. Não posso fazer nada. Nunca mais voltei ao serviço e só saio de casa para ir ao médico”.
José Comparini acredita que só uma legislação mais rigorosa fará com que os motoristas sejam mais prudentes. “A lei deveria ser mais severa. O cara que fez isto tinha que ser punido. Ele deveria estar correndo muito para pegar o outro carro. A impunidade é muito grande”.
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