A cada mês passam pela Santa Casa em média duas pessoas com o diagnóstico de tetraplegia (incapacidade total de realizar movimentos), tetraparesia (parcial) ou paraplegia (lesões abaixo da coluna lombar). Em 2009, 21 pessoas foram atendidas no hospital com alguma destas lesões. No Brasil, a maior parte dos traumas é causada por acidentes de carro, a cavalo, quedas bruscas em piscinas, ferimentos por arma de fogo e até por consequências de um câncer. Em Franca, os derrames são os que mais fazem vítimas.
Flávia Matos Borges está entre os francanos que tiveram suas vidas transformadas. No dia 23 de maio de 2004, quando tinha 25 anos, ela saía da Expoagro, por volta de uma hora da manhã, no banco do passageiro no carro de um amigo. Quando passavam pela Avenida Orlando Dompieri, um motorista embriagado, dirigindo em alta velocidade, bateu de frente no carro em que Flávia estava. Ela não usava cinto de segurança e sofreu um traumatismo medular nas cervicais C6 e C7, a mesma lesão que a personagem Luciana (interpretada pela atriz Aline Morares), de <b>Viver a Vida</b>, vive atualmente na novela das oito da rede Globo. Seu amigo não teve ferimento algum.
Quando chegou ao hospital, os médicos disseram aos pais de Flávia que ela tinha poucas chances de sobreviver. “Minha coluna despedaçou. Fiquei três meses entubada no CTI (Centro de Tratamento Intensivo) da Santa Casa. Eu não sentia movimento nenhum, de braços e pernas”, lembra Flávia. Depois de três meses, pelo que considera um milagre, ela conseguiu ir para o quarto. Com diagnóstico de tetraparesia.
No começo do tratamento, Flávia que era caixa de uma perfumaria e cursava o último ano de informática, teve que reaprender tudo. Sem os movimentos do corpo, ela não comia sozinha, não sentava e ainda tinha que conviver com o comprometimento de suas funções fisiológicas. Depois de um ano, com as sessões semanais de fisioterapia, Flávia passou a conseguir avanços no tratamento. Nesses cinco anos de pós-trauma, cada avanço nos movimentos foi comemorado como se fosse a realização de um sonho. “Comecei a sentar, depois a levantar os ombros e o antebraço, depois o braço”, conta. Hoje, com 30 anos, ela ainda vive sobre uma cadeira de rodas, conta com a ajuda de seus pais e de um irmão para comer e se locomover, usa fraldas e não tem os movimentos das mãos e das pernas, apenas do pescoço e dos braços.
Assim como Flávia, Maicon Alves Dionízio, 23, sofreu um acidente de bicicleta na mesma Avenida há três anos. Ele estava indo trabalhar em uma fábrica de calçado quando perdeu o freio. O jovem bateu a cabeça em algumas grades e teve uma séria lesão na medula óssea. Maicon ficou dois meses internado na Santa Casa.
Quando foi para casa, após três meses ele voltou a sentar novamente. “Com as sessões de fisioterapia também comecei a movimentar os braços”, disse. Hoje após três anos do acidente Maicon recuperou a sensibilidade nas pernas, mas ainda não consegue se locomover sozinho. “Os médicos disseram que meus ossos trincaram. Mas não perdi as esperanças o meu sonho é um dia voltar a andar”, disse.
Depois do acidente, a rotina de Maicon mudou. Sentado sobre uma cadeira de rodas ele depende da mãe para tomar banho, se trocar e comer. Tenta passar o tempo assistindo TV e na internet. O jovem que cursava o 8º ano do ensino fundamental, conta que não esperava a reação de algumas pessoas. Mas encara o novo desafio com otimismo. “Os meus amigos se afastaram um pouco de mim, mas a minha família está comigo. Creio em Deus e um dia darei a volta por cima e quero ainda voltar a jogar futebol nas horas de lazer”, disse.
<b> Veja o quadro abaixo</b>
<p style="text-align: center;"><a target="_blank" href="http://gcncomunica.wordpress.com/files/2010/01/entenda-a-diferenca-entre-tetraplegia-e-paraplegia.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3214" title="arte/Comercio da Franca" src="http://gcncomunica.wordpress.com/files/2010/01/entenda-a-diferenca-entre-tetraplegia-e-paraplegia.jpg" alt="" width="300" height="394" /></a></p>
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