O senhor dos automóveis


| Tempo de leitura: 10 min
<b>OTIMISTA</b> - Sérgio Monteiro, gerente da Ortovel e Orleans/Peugeot: “Franca hoje é um pólo forte no interior paulista em termos de mercado automobilístico”
<b>OTIMISTA</b> - Sérgio Monteiro, gerente da Ortovel e Orleans/Peugeot: “Franca hoje é um pólo forte no interior paulista em termos de mercado automobilístico”
<p>A sala de Sérgio Paulo Barzotto Monteiro, 41, é pequena e simples. Tem uma mesa grande com cadeira confortável, mas nada de fotos ou papéis sobre ela. Apenas o telefone, um bloco de anotações e o celular. Quando não está entre os funcionários, é por meio de um vidro grande em uma das paredes que ele observa o trabalho na empresa, a Orleans/Peugeot. Foi na concessionária que Sérgio atendeu a reportagem do <strong>Comércio</strong> para uma entrevista na última quarta-feira. </p> <p><br />Sérgio passou a comandar a Orleans em dezembro de 2008, dois meses depois da inauguração. Além dela, ele gerencia, desde março de 2007, a Ortovel/Ford. As duas concessionárias pertencem ao Grupo Irmãos Toniello e, juntas, têm cerca de cem funcionários. Sérgio deixou o emprego em uma multinacional do setor de automóveis (preferiu não revelar qual) para assumir as lojas de Franca. Não se arrependeu. Conseguiu consolidar as marcas que o grupo trouxe para a cidade e, graças ao trabalho de sucesso, enfrentará um novo desafio a partir deste mês. Ele está de mudança para Ribeirão Preto onde vai comandar a concessionária Honda. </p> <p><br />No currículo, Sérgio levará a formação em Administração de Empresas, no Instituto de Ensino de Bauru; MBA em Marketing, na Fundação Getúlio Vargas, e pós-graduação em Gestão Empresarial na Faap (Fundação Armando Alvares Penteado). Leva, ainda, um jeito diferente de lidar com funcionários, clientes e concorrentes, o que fez o sucesso das lojas de Franca. Natural de Cascavel, no Paraná, ele chegou à cidade há três anos para ajudar a construir a concessionária Ortovel. Morou em Bauru e São Paulo, cidades onde estudou e trabalhou. “Fiquei 12 anos na multinacional em São Paulo e saí para o novo desafio que era montar a Ortovel. Mas antes atuei como estagiário de banco, de indústria automobilística, enfim. Por isso valorizo muito o estagiário”.</p> <p><br />Foi aos 22 anos de idade que Sérgio começou efetivamente no setor automobilístico. Fala com paixão sobre o negócio. “Trabalhar com carro entra no sangue”. </p> <p><br />O mesmo entusiasmo ele demonstra quando se refere a Franca, cidade em que ele construiu sua família. “Sou um apaixonado pela cidade que me deu as coisas mais preciosas da minha vida que são minha mulher e meus filhos. Bebi a água da careta”, brinca.</p> <p><br />Ao <strong>Comércio</strong>, Sérgio falou sobre sua relação com a cidade, sobre negócios, além do relacionamento com os funcionários. Opinou sobre o setor em Franca e disse que aposta na vinda de, pelo menos, duas novas marcas de veículos para a cidade. Confira a seguir.   </p> <p><strong>Comércio da Franca - Como você chegou a Franca?<br />Sérgio Paulo Barzotto Monteiro -</strong> Trabalhava em uma multinacional do setor automobilístico quando o Grupo Irmãos Toniello me fez um convite para um novo desafio: abrir a concessionária Ford em Franca. Saí da multinacional para trabalhar em um grupo menor, mas que, no mercado, também  é grande. Tem sete concessionárias e deve chegar a dez em 2010, tem usinas e outras coisas. Mas é isso. Vim para cá em outubro de 2006, justamente para abrir a Ortovel. Inauguramos em março de 2007. <br /></p> <p><strong>Comércio - Você já conhecia Franca?<br />Sérgio Monteiro -</strong> Sim. Viajava para cá pelo menos uma vez a cada dois meses. Fazia visita às concessionárias para conferir como estava a área comercial, já que trabalhava no ramo automobilístico. Coordenava 12 concessionárias. E já gostava de Franca. Sou um apaixonado pela cidade que me deu as coisas mais preciosas da minha vida, que é minha mulher e meus filhos. Bebi a água da careta (risos). Tive meus filhos aqui. Um, infelizmente, nasceu e morreu. A outra tem dois meses de vida. <br /></p> <p><strong>Comércio - Como foi começar em uma nova concessionária e ser responsável por gerenciá-la?<br />Sérgio Monteiro -</strong> Foi um desafio muito bom. Adorei e estou adorando. A gente construiu um relacionamento com os outros revendedores daqui, com outras concessionárias, um relacionamento firme, legal de se trabalhar. Desde o primeiro mês que a gente começou, já superou as expectativas de vendas. Tudo isso veio a somar. Estava num momento profissional diferente e as coisas conspiraram para dar certo. <br /></p> <p><strong>Comércio - Como você analisa o crescimento da concessionária? <br />Sérgio Monteiro -</strong> Todos os anos ela registrou crescimento financeiro. Independente dos baques de mercado, a Ortovel está consolidada hoje em Franca e para não sair mais. O nome tem mais de 30 anos, é um nome sério e não quer sair daqui tão cedo. Quer apenas crescer.<br /></p> <p><strong>Comércio - E a Orleans/Peugeot? Você também foi responsável por montar a concessionária na cidade?<br />Sérgio Monteiro -</strong> Participei muito. Procurei o terreno e ajudei bastante na parte da construção. Quando começou, era um outro gerente. Depois de dois meses, eles pediram para eu assumir aqui também. Em dezembro do ano passado, assumi a Peugeot. Estou à frente das duas. A vinda da Orleans a Franca se deu por causa do sucesso da Ortovel, do crescimento de mercado. Franca é uma cidade em franco crescimento, principalmente na área automobilística. Quando a Ortovel veio para cá, se emplacava 250 carros mês, hoje são 550 a 600. Então, em três anos, o mercado mais que dobrou. E a expectativa é que cresça um pouco mais. Outras concessionárias estão vindo para cá. Isso abriu os olhos de muita gente. A cidade é um pólo do interior.<br /></p> <p><strong>Comércio - Você acredita que Franca comporta tantas concessionárias?<br />Sérgio Monteiro -</strong> Acho que ainda tem espaço para mais uma ou duas marcas que devem vir para Franca nos próximos dois anos. Depois se consolida nesse número. <br /></p> <p><strong>Comércio - O Grupo Irmãos Toniello trará mais alguma marca?<br />Sérgio Monteiro -</strong> O grupo tem interesse em Franca. Acontece que as marcas estão consolidadas e essa hipótese não existe hoje. <br /></p> <p><strong>Comércio - Como é a concorrência no mercado automobilístico?<br />Sérgio Monteiro -</strong> É uma concorrência forte. Está crescendo. Cresceu muito quando a Ortovel veio para cá. No mercado, principalmente de semi-novos, ela criou um outro patamar de negociação e de concessionárias. Existe a concorrência, mas existe o respeito. A gente se respeita muito e, entre os líderes, a gente conversa muito.<br /></p> <p><strong>Comércio - Há uma troca de ideias entre concorrentes?<br />Sérgio Monteiro -</strong> Sim. Precisar ter. Você é concorrente, mas não é inimigo das pessoas. Sempre pensei assim na minha vida. Fiz questão de conhecer e ser amigo de todo mundo.<br /></p> <p><strong>Comércio - Depois de três anos em Franca, você acredita que a empresa está consolidada?<br />Sérgio Monteiro -</strong> A Peugeot ficou em 5º lugar de emplacamento no ano passado aqui. Só perdeu para quatro grandes marcas. Por ser o primeiro ano, isso é muito importante. A Peugeot no Brasil está em sétimo lugar. Então está consolidada. E a Ortovel é uma referência em carro seminovo. <br /></p> <p><strong>Comércio - Falando um pouco do profissional do setor, como é atuar nesta área? Qual habilidade que é preciso ter para chegar ao sucesso? <br />Sérgio Monteiro -</strong> Trabalhar com carro entra no sangue. É difícil você mudar de área depois que entra porque é um setor muito dinâmico. E muito diferente no dia-a-dia. Antigamente o mercado subia em um mês, caía dois, três meses depois. Hoje é dia a dia. Um dia vai bem, outro mal. Se você não estiver atualizado com as informações, preços, bônus, taxas especiais que saem, perde um dia. No fim, você perdeu muita coisa em um mês. Cada dia que passa tem mais concorrentes na rua e trabalhando bem. Tem que trabalhar muito melhor que eles e ainda estar antenado. A informação é importante. Se você não pratica isso no seu pessoal, não vai para frente. É um estresse o tempo inteiro, desafiador, mas muito gostoso. <br /></p> <p><strong>Comércio - Há um segredo para fazer um bom negócio?<br />Sérgio Monteiro -</strong> É a política do ganha-ganha. O cliente ganha e a gente também. Se um dos dois estiver perdendo, o negócio não vai sair. Os dois têm que estar satisfeitos. Independentemente se você está ganhando na operação do carro. Às vezes, as concessionárias não ganham pelo carro, mas em toda operação, vendendo acessórios, outras coisas. No carro, praticamente é pouca coisa.<br /></p> <p><strong>Comércio - Antes da entrevista você falou sobre estagiários. Na empresa que você lidera são muitos. Por quê?<br />Sérgio Monteiro -</strong> Como comecei minha vida profissional como estagiário, valorizo muito isso. Acho que a pessoa que vai estagiar aprende muita coisa quando dá certo na empresa, conhece as regras, trabalha bem, tem vontade, tem oportunidade. Um dos orgulhos que tenho é que, entre os nossos funcionários, mais de 20 pessoas começaram como estagiárias. Hoje (quarta-feira passada) estou contratando duas estagiárias.<br /></p> <p><strong>Comércio - Sua relação com funcionários parece ser boa...<br />Sérgio Monteiro -</strong> Eu gosto de quem trabalha, quero que cresçam profissionalmente, que comprem casa, carro. Se for estagiário, que vire funcionário da empresa. E tem que ser um profissional empenhado em estudar, se preparar para o mercado. Você sendo profissional de mercado sempre terá portas abertas. Isso eu incentivo. O funcionário pode crescer dentro da empresa e ela terá que arrumar um outro para substituí-lo. Vou ficar feliz da vida o dia que eles assumirem cargos de liderança.<br /></p> <p><strong>Comércio - Você ajudou a criar os feirões da empresa. Como foi?<br />Sérgio Monteiro -</strong> Fizemos muitos. Sentamos com outra concessionária e viabilizamos. Fizemos quatro no ano. Vamos continuar porque é importante. Além do relacionamento que a gente cria com outras concessionárias, tem a parte forte porque você faz uma condição diferente e vende bastante. <br /></p> <p><strong>Comércio - Há realmente diferença quando se negocia num feirão?<br />Sérgio Monteiro -</strong> Sempre tem, se você não fizer nada diferente, o que está do seu lado vai fazer. <br /></p> <p><strong>Comércio - Apesar de afirmar que gosta muito de Franca, você está deixando a cidade. Como foi essa decisão?<br />Sérgio Monteiro -</strong> Vou assumir uma nova concessionária Honda em Ribeirão Preto. Existe uma de um outro grupo e agora o nosso vai abrir a sua. O convite para gerenciar esse novo empreendimento veio no ano passado e fiquei quatro meses pensando. Mas eu gosto de desafios e a gente tem que começar do zero de novo. É a terceira vez que vou fazer isso. <br /></p> <p><strong>Comércio - Quando você deixa Franca?<br />Sérgio Monteiro -</strong> Neste mês ainda. Mas estarei pertinho. Vou voltar muito para rever os amigos aos finais de semana. A gente vive aqui e respira a cidade. Quem sabe um dia volto para morar de vez.<br /></p> <p><strong>Comércio - Franca já tem uma concessionária Honda. Há a possibilidade da empresa em que você trabalha abrir outra aqui?<br />Sérgio Monteiro -</strong> Não. Em Ribeirão, será a segunda, mas lá o tamanho da cidade comporta outro grupo, aqui não.<br /></p> <p><strong>Comércio - Como foi 2009 e qual foi o período mais difícil do ano para as concessionárias do Grupo Toniello? <br />Sérgio Monteiro -</strong> Na Peugeot, o melhor mês do ano foi junho e o pior mês julho. Isso por conta do advento do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), que deu algumas condições. No último mês do IPI, aconteceu antecipação de vendas. Vendemos carros para quem iria comprar mais para frente. No geral, foi um bom ano, não dá para reclamar. Ganhou-se dinheiro? Não tanto quanto em outros anos, mas aconteceram vendas, não se perdeu dinheiro. Houve meses em que chegou a empatar a operação. <br /></p> <p><strong>Comércio - E qual a aposta para 2010?<br />Sérgio Monteiro -</strong> A projeção é que seja muito melhor. A gente acredita sempre nos populares. Mas isso depende de cada marca.</p>

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários