As salas de espera dos consultórios dos oftalmologistas têm ficado mais cheias de pacientes com conjuntivite, doença mais comum nos meses de verão. Em algumas clínicas, o número de casos da doença chega a ser três vezes maior que em outras estações.
A conjuntivite é uma inflamação que ocorre na conjuntiva, uma película que recobre a parte branca dos olhos. A doença pode ser causada por vírus e bactérias, que se proliferam com mais facilidade durante o calor. Os sintomas da infecção são coceira, secreção, vermelhidão e sensação de ardência nos olhos.
Numa das clínicas localizadas no Centro, a secretária Juliana Guimarães disse que só ontem pela manhã recebeu três ligações de pacientes com conjuntivite, média que vem sendo mantida nas últimas semanas. “No verão, o consultório fica tumultuado por causa dos casos de conjuntivite”.
O oftalmologista Plínio Murta Vieira vive realidade parecida. O especialista estima atender em seu consultório dez pacientes, em média, por semana quando as temperaturas estão mais amenas. No verão, o número triplica e sobe para pelo menos 30 casos na semana. As bactérias e vírus causadores da doença vivem no ambiente ou no próprio organismo. “Às vezes, a bactéria já vive na pessoa sem ser nociva à saúde, mas por uma deficiência imunológica, acaba desencadeando a infecção”.
A médica Raquel Liporoni afirma que, além da proliferação maior dos causadores da conjuntivite no calor, os hábitos das pessoas facilitam a contaminação neste período. “Elas ficam mais em ambientes com ar-condicionado, frequentam clubes, saunas e piscinas, o que aumenta a contaminação por vírus e bactérias”, disse ela. <b>Ouça:</b>
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Além do grande incômodo gerado pela conjuntivite, os doentes ainda perdem dias de trabalho e escola, pois a doença é facilmente transmitida, o que exige os afastamentos para evitar epidemia. Segundo os especialistas, a infecção demora de três a quatro dias para se manifestar e pode durar semanas. “Se for mais branda, é recomendado uma semana de afastamento, mas esse período pode ser de até 20 dias, dependendo do grau. Se não cuidada, a conjuntivite pode complicar, atingir a córnea e comprometer a visão”, disse Raquel.
A prevenção é simples. Todos oftalmologistas orientam as pessoas a lavarem bem as mãos e se possível higienizá-las com álcool gel. “A mão é a parte do corpo que tem contato com todos objetos, como maçaneta, telefone, teclado, talheres... Ao passar as mãos nos olhos, a pessoa se contamina com vírus e bactérias com que teve contato”, disse a médica. Não compartilhar toalhas de banho e roupas de cama também impedem a proliferação da doença. O contato com pacientes vítimas de conjuntivite deve ser evitado.
O Hospital Regional espera aumento dos casos da doença nesta estação, mas não houve alterações no atendimento ainda. A Secretaria de Saúde informou que não foram registrados aumentos de conjuntivite na rede pública nos últimos meses e que em 2009 a média foi 490 casos por mês, com picos em junho, julho e agosto, quando registrou nos prontos-socorros e unidades básicas de saúde 650 ocorrências mensais. Até a tarde de ontem, o Hospital Unimed não havia informado sobre ocorrências da doença.
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