Mudanças promovidas pelo governo federal na Educação do País reduzirão o tempo de permanência das crianças nas creches. Com a implantação do ensino fundamental de nove anos (antigamente eram oito), os estudantes ingressam na pré-escola mais novos, a partir dos quatro anos, por isso, a faixa etária atendida nas creches passa a ser menor.
Até o fim de 2010, as entidades deverão atender crianças que têm de zero até, no máximo, 3 anos e 11 meses. Em Franca, a determinação deixa pais que precisam trabalhar o dia inteiro preocupados, pois os filhos que têm mais que a idade limite só ficarão na escola meio período.
Para amenizar os transtornos, a Prefeitura pretende incentivar as creches para que continuem a atender por mais este ano meninos até 6 anos e 11 meses.
A faixa etária atendida é variada. Das 40 unidades conveniadas à Secretaria de Educação, apenas seis aceitam crianças até 6 anos e 11 meses e 16 atendem até 5 anos e 11 meses. Algumas instituições decidiram cumprir a nova legislação a partir deste ano. A Casa Maternal São Francisco de Assis, na Vila Nova, só matriculou crianças até 3 anos e 11 meses. “Em 2009 tivemos crianças deixando a creche com cinco anos. Mas a mudança da idade já estava ocorrendo e neste ano decidimos adotar a idade reduzida”, disse a coordenadora Valquíria Silva.
As crianças permanecem dez horas por dia na creche. Têm quatro refeições e participam de atividades recreativas e pedagógicas. Valquíria disse que o atendimento prejudicará a rotina dos pais. “Muitas mães não têm com quem deixá-las no período que estão fora da escola. Elas saem da creche chorando porque sabem que aqui as crianças estariam bem cuidadas”.
Andréa Almeida, 31, foi uma das mães afetadas pela mudança. Seu filho Luís Eduardo foi atendido pela Casa Maternal por dois anos e em 2010 não pode ser matriculado porque tem quatro anos e 11 meses. Andréa e o marido terão de reorganizar a rotina. Ela trabalha como auxiliar administrativo numa loja e não descarta a possibilidade de abrir mão do salário de R$ 600 para cuidar dos dois filhos. “Provavelmente ele vai ficar com o irmão mais velho que tem 11 anos apenas. Meus pais moram no fundo da minha casa, mas são idosos. Tentei contratar uma pessoa para cuidar do meu filho, mas me cobrariam no mínimo R$ 180. Não compensa gastar esse dinheiro, é melhor deixar de trabalhar fora”, disse Andréa, que, como o marido, sai de casa cedo para trabalhar e só retorna no início da noite. Luís Eduardo foi matriculado no pré da rede municipal, no período da tarde.
Para socorrer os pais de filhos com mais de 4 anos, a Prefeitura solicitou às creches que continuem a atender crianças mais velhas até que o município elabore projetos para atender as crianças que ficarão meio período fora das salas de aula. Se todas as creches decidissem cumprir a lei neste ano, 1.284 crianças teriam de deixar as entidades. “Nas creches, o governo só repassa recursos para menores de 4 anos. A Prefeitura assumirá os gastos e repassará R$ 142,82 per capita por mês para as que têm até 6 anos e 11 meses”, disse a secretária de Educação da cidade, Leila Haddad.
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