Como o tempo voa. Já estamos no décimo ano do terceiro milênio. Século passado? Parece que foi ontem. Alguém ainda lembra do pânico de passagem para o terceiro milênio onde computadores poderiam enlouquecer e paralisar transportes, comunicações, energia, serviços de emergência?
E, nada aconteceu. Bem, parece que nada aconteceu, mas muita coisa mudou. São mudanças tão sutis que a maioria não percebe. Olhando numa retrospectiva analítica podemos apontar as mudanças que ocorreram e continuam ocorrendo, até parece, em ritmo mais acelerado.
Focalizando o nosso mundinho específico, o calçadista, dá para sentir as mudanças comparando os métodos de produzir e comercializar o produto nos últimos anos, com aquilo que já está vigorando. Onde estão as mudanças? Nos mercados perdidos ou criados, a velocidade de inovações, surgimento de novos materiais e consequentemente de novos métodos de processamento e tantas mais; mudanças estas, algumas delas muito profundas que mudaram a nossa maneira de pensar e agir.
Não são todas as pessoas ou empresários que as percebem e são ainda muito menos as pessoas que se sentem compelidas a agir para se adaptar aos novos tempos.
Nunca antes foi tão perigoso esperar `para ver como vai ficar`! Há pouco tempo atrás a unidade de tempo para tomar decisões ou para agir era contada em anos. Hoje, semanas ou até dias de atraso na tomada de decisão ou início de ação podem ser fatais!
Na área tecnológica a premência do tempo ainda não é tão manifesta como o é na área da percepção por parte dos consumidores sobre o conforto e saúde e, principalmente, na área de comercialização. Principalmente, repito, na área de comercialização.
Vários fatores antes desprezados ou até desconhecidos estão mudando a concepção de comercialização. Quais são estes fatores?
O principal deles é a descapitalização do varejo e mudanças rápidas nos conceitos da moda. O capital do lojista está nos gavetões com cartões de crediário.
Lojista tem medo de colocar grandes pedidos porque com cada lançamento de uma diferente novela corre o risco de ficar sentado em cima de mercadoria invendável e, por outro lado, nem tem capital disponível para bancar grande estoque.
Qual é a consequência? Ganha o mercado e a fidelidade do cliente quem é capaz de fazer reposição da mercadoria vendida em questão de horas ou dias. Utopia? Mas é assim que os chineses ganharam o mercado europeu. Só vendiam o que podiam entregar pelo correio para reposição imediata! Em que implica isso, no caso do fabricante?
Implica em boa e segura pesquisa do mercado, método de produção e de organização da fábrica que permita grande e rápida flexibilidade para adaptação aos novos modelos e até diferentes construções, atendimento eletrônico, visitas muito mais frequentes dos vendedores, de preferência sendo funcionários próprios da fábrica etc...
Que a organização interna da fábrica, a estrutura burocrática e financeira deve estar à altura do desafio está implícito.
É um grande trabalho, cheio de detalhamento administrativo, a ser efetuado por quadro de funcionários selecionado, motivados e bem treinado. Mas, não há dúvida, tem que começar pela mudança da mentalidade do próprio empresário. A meu ver, esta é a parte mais difícil do processo. Por que será que tantos gostam de dirigir as suas empresas olhando pelo espelho retrovisor? O Ano Novo está aí, cheio de desafios. Quem se habilita a enfrentá-los?
FASCINADOS POR MARCAS
De acordo com notícia publicada no <i>Financial Times</i>, a China tem um número de ricaços que cresce rapidamente. O jornal cita Hurun Report, grupo de pesquisa do comércio de luxo, que publica a lista dos mais ricos chineses, e diz que atualmente existem na China 825 mil pessoas que possuem mais de um milhão de dólares. A publicação diz que estas pessoas estão fascinadas com marcas famosas, mas que este amor encontra-se ainda na infância.
CHINESES E JAPONESES
McKinsey, outra entidade de pesquisa, comenta que as marcas famosas que conquistaram o mercado japonês têm que ter na mente que a penetração no mercado chinês deve levar em conta que os chineses e japoneses, são diferentes.
UM CALÇADO OU UMA BOLSA
Para começar, os consumidores ricos na China são 20 a 30% mais jovens que compradores similares do Japão. Os ricos chineses, homens, desejam em primeiro lugar carros de luxo, enquanto mulheres são apaixonadas por marcas famosas de calçados e de bolsas. O Financial Times diz que é comum as funcionárias de escritórios em Shanghai gastarem o salário mensal para comprar um par de calçados ou uma bolsa.
Zdenek Pracuch
Sapateiro, shoemaker – pracuch@comerciodafranca.com.br
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