Segunda parte da entrevista de Sidnei Rocha


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<b>Comércio - O senhor disse que é muito cedo, mas isso é uma retórica política. Todos sabemos que o José Serra tem repetido que tem nervos de aço e que vai se segurar para anunciar só em março, mas o senhor não acha que essa postura de que é cedo demais, se por um lado preserva por outro prejudica, já que muitos não têm empatia popular? Como o caso do Presidente Lula, que tem grande aprovação popular, mas que não conseguiu ao longo de seu mandato forjar um sucessor e vai com Dilma, que não teve tempo de testar nas urnas? No caso do senhor é a mesma coisa. Os secretários não têm experiência de urna, não disputaram votos nem foram testados. À medida que isso atrasa a definição de eventuais candidatos, não deixa o quadro mais complicado para quem deseja fazer um sucessor, ou isso não é uma preocupação sua? Sidnei Rocha</b> - Não é. Por outro lado, definindo agora um nome, ele entra em desgaste. Na última vez que estive com o Serra, ele me disse que estava muito estressado e eu disse a ele que ele estava certo, que ele não devia lançar candidatura esse ano. O Lula tem que fazer porque ele tem uma candidata mais desconhecida, fato que não acontecerá aqui, se eu for apoiar um secretário meu. Eles são bem conhecidos, ao contrário do que dizem que eu sou centralizador, meus secretários dão mais entrevistas do que eu. Praticamente todos, mais o Roberto (Nunes Rocha), da Ação Social, que dá menos entrevistas. Ele é um bom nome, tem um dos melhores projetos da Prefeitura. <b>Comércio - A oposição não tem, até o momento, um nome forte para disputar a Prefeitura. Diante deste cenário, o senhor acredita que quem o prefeito apoiar vai vencer as eleições? Sidnei Rocha</b> - Não necessariamente. Ajuda pelo trabalho que fizemos, como no caso do Lula ajuda a Dilma, mas não acredito que fazemos alguém. Ninguém elege poste. <B>Comércio - Só no caso do Maluf com Pitta? Sidnei Rocha</b> - O Pitta não era desconhecido, ele já tinha um trabalho político feito em São Paulo, não tanto na mídia, mas ele já tinha um trabalho feito na parte política. <B>Comércio - Não é recorrente, mas temos alguns casos famosos, como a eleição do Fleury, que se não fosse o apoio do Quércia, não seria conhecido. Temos o caso do Maluf com Pitta, que hipotecou seu grande prestígio junto ao eleitorado na eleição do Pitta, depois nunca mais foi o mesmo. Como o senhor vê essa questão? Isto pesa na hora de o senhor fazer alguma declaração sobre um ou sobre outro? Ou o senhor não pensa nos efeitos que o apoio dará? Sidnei Rocha</b> - Não penso em nada sobre eleição futura, está longe demais. Primeiro temos que lutar para eleger nossos candidatos para governador de São Paulo e Presidente da República. Este é meu primeiro papel como companheiro do PSDB. Depois, lá na frente, pensar em uma sucessão local. <b>Comércio - O Presidente Lula, em um momento de modéstia quase inédito, disse que independente de quem vencesse eleição, Dilma ou Serra, “o Brasil estaria em boas mãos”. O senhor diria o mesmo sobre algum candidato de Franca não estando ele filiado ao PSDB ou o senhor não vê ninguém da oposição que mereça essa distinção? Sidnei Rocha</b> - No momento, não há não. Não sei se poderia dar essa declaração. Com o Lula é diferente, ele disse isso porque ele não quer de forma alguma o Ciro Gomes, porque ele e todo mundo têm medo do Ciro Gomes. Ele (Ciro Gomes) amanhã presidente vai tentar desconstruir tudo. Para ele (o Lula), Ciro Gomes seria o novo Collor do Brasil, que é bem ao estilo do antigo Collor. Essa história de mandar o Ciro para São Paulo foi para tirá-lo da jogada. Eu posso estar errado, mas tenho a impressão de que o Lula prefere o Serra ao Ciro. Lula e Serra não se agridem nunca. Por serem adversários, não têm aquelas fortes alfinetadas, eu nunca li, nem vi nem ouvi o Serra fazendo fortes ataques ao Lula e vice-versa. É claro que o Lula quer a Dilma, mas se for o Serra não será tão pior que o Ciro Gomes. <B>Comércio - Então o senhor acredita que não haja algum adversário que mereça uma declaração semelhante do senhor? Sidnei Rocha</b> - Hoje não. Pode ser que mais para frente possa aparecer, mas eu prefiro fazer como o Lula, lutar para eleger meu sucessor. <b>Comércio - Quando o senhor disse os nomes para seus sucessores, o senhor citou Roberto Nunes Rocha como autor do melhor projeto da Prefeitura. Que projeto é este? Sidnei Rocha</b> - O projeto social da Prefeitura é fantástico. Atendemos mais ou menos 110 mil famílias dentro desse processo, com os vários programas sociais que temos e a maioria desses programa são de coordenação da Secretaria de Ação Social. <b>Comércio - Mas com valores repassados pelo Governo Federal? Sidnei Rocha</b> - Governo Federal, Municipal, tudo. <b>Comércio - Qual o caminho para a segurança de Franca? O senhor acha que a cidade está dentro daquilo que um município de 330 mil habitantes comporta? Sidnei Rocha</b> - Somos uma cidade com quase 330 mil habitantes, cidade grande que ainda tem números de cidade pequena, pouca violência. Nesse último semestre aumentou, o que assusta. Para a violência, o remédio é a Polícia Civil e a Polícia Militar apertarem o cerco. <B>Comércio - Como vê as ações em que bandidos invadem as residências e mantêm famílias como reféns? Sidnei Rocha</b> - É preocupante, mas a Prefeitura não tem como fazer, a polícia que tem que fazer a parte dela, tem que apertar. A cidade cresce, a violência cresce junto. Nós devemos cobrar da polícia uma ação mais efetiva. É o que estou fazendo. <b>Comércio - O armamento da Guarda Municipal não seria uma boa alternativa? Sidnei Rocha</b> - A Guarda Municipal, talvez, tenha que ser extinta. Guarda para vigiar prédios não precisa. Coloco alarme e câmera e faz-se o serviço. A câmera ainda filma o ladrão. Eu mandei um projeto (para a Câmara) para tentar fazer a guarda ser mais útil, mas os vereadores foram contra. <b>Comércio - Os próprios guardas estavam contra o projeto... Sidnei Rocha</b> - Eles estão lá (na Guarda) para trabalharem e não para darem palpite. <b>Comércio - O senhor ficou decepcionado com sua base por não defender o projeto? Sidnei Rocha</b> - Eu entendo estas coisas. Não querem aprovar tudo bem, mas talvez, amanhã, tenhamos que extinguir a Guarda, porque para guardar prédios ela não serve. <b>Comércio - A extinção da Guarda Municipal é estudada? Sidnei Rocha</b> - Pedi que se levantasse a legislação e o processo sobre a Guarda para eu estudar. Está sobre a minha mesa, eu não tive tempo ainda, mas vou estudar. <B>Comércio - Qual o custo da Guarda Civil hoje? Sidnei Rocha</b> - Ela custa caro e eles adoram fazer hora extra. Hora extra, para a Prefeitura toda, tem que passar pelas mãos do prefeito. Eles acostumaram a trabalhar com hora extra e não pode mais, não adianta eles irem na Câmara ou na imprensa. Ou a Guarda é uma tropa como a Polícia Militar e presta serviço parecido, ou não adianta. Eu ouvi uma conversa de um guarda que disse que se fosse para aumentar a função dele, eles deveriam ganhar mais. Mas que conversa é esta? Eles têm pouca coisa para fazer, quando arruma alguma coisa para eles fazerem querem participação nos lucros? <b>Comércio - O senhor está disposto a dar uma função para a Guarda ou extinguí-la? Qual a relação de custo benefício do órgão para a cidade? Sidnei Rocha</b> - Eu acho que resolve pouco. As coisas que ela faz podem ser feitas por empresas de segurança com um custo menor. Eu acho que tem que encontrar uma melhor razão para ela existir, acho que isso não foi devidamente avaliado pelos vereadores, sobre aquilo que faz e o que precisa fazer. Qualquer órgão da Prefeitura tem que ser mais útil à população. Se a Guarda Municipal for mais útil para a população com outras atividades, por que não fazer? <b>Comércio - O simples fato de deixar a Guarda multar a tornaria mais eficiente? Sidnei Rocha</b> - Eu vejo as pessoas falando sobre indústria de multa. Isto existia na época do PT. Dois radares não são indústria de multa. Temos que pensar na vida das pessoas ao invés de ficar dando ouvidos para quem foi multado. <B>Comércio - Realmente o número de multa é baixo, mas simplesmente colocar um talão de multa nas mãos dos guardas não vai torná-los mais eficientes. Sidnei Rocha</b> - Claro que vai. Sem penalidade, motoristas não obedecem. No Galo Branco esses dias eu presenciei um rapaz que saiu como um foguete e atravessou em cima do canteiro. Toda hora tem isso na rua, vocês estão defendendo criminosos no volante. <B>Comércio - Quem defende são alguns vereadores de sua base. O Comércio da Franca e a Difusora defendem o recrudescimento da fiscalização e o combate da violência no trânsito que é absurda. Ninguém é multado sem motivo. O infrator é multado porque faz coisa errada. Mas quem foi contra as multas foram os vereadores, inclusive de sua base de apoio. O senhor não se irrita com isso? Sidnei Rocha</b> - Eles são livres para votarem, mas estão fazendo duas bobagens. Primeiro, não arrumando mais serviço para a Guarda e, segundo, não permitindo que a Guarda repreenda, eles têm que ter poder. Não basta apenas orientar. Tem que autuar. <b>Comércio - O senhor não paga um ligeiro tributo por um dia ter feito apologia à indústria da multa? Sidnei Rocha</b> - Tem até vereador do PT falando de indústria da multa. Isto era na época deles. <b>Comércio - Foi um vereador do seu partido, o Marcelo Valim (PSDB), que abriu uma comissão especial na Câmara para apurar a existência de suposta indústria da multa em Franca... Sidnei Rocha</b> - Não tem problema. Isto é democracia, mas é importante que todos entendam que não se combate o bandido de revólver ou o bandido do volante com rosas. Isto é muito bonito no altar de uma igreja, na conversa. Na prática, é diferente. <B>Comércio - Mas por que o bandido do PT é diferente do bandido do PSDB? A decisão do Gilmar Dominici, ex-prefeito, de colocar radar, estatisticamente, reduziu o número de mortos. Não foi um equívoco as críticas que foram feitas durante a campanha eleitoral de 2004 e hoje o senhor não é refém da mesma situação? Sidnei Rocha</b> - É diferente, porque antes, tinha um radar que se a pessoa avançasse um centímetro, já multava, se ficasse amarelo já multava. Hoje, temos dois radares que são deslocados para lugares onde há abuso. Na época do PT, eu critiquei aquele monte de radares. <b>Comércio - Nós sabemos que o senhor é muito fiel aos amigos. Mas, também os que pisam na bola pagam um preço caro por isso. O escândalo dos esportes, nesse ano de 2009, o feriu bastante. Quais foram as medidas tomadas em relação a isso? Sidnei Rocha</b> - Eu estou agora, neste final de ano, extinguindo a Divisão de Esportes inteira e extinguindo o cargo de secretário adjunto de esportes. As pessoas que são de carreira, da Prefeitura, voltarão a dar suas aulas nas escolas e as que não são, serão dispensadas. No mês de janeiro, na primeira quinzena, nós vamos apresentar um novo projeto para o esporte. <B>Comércio - O que aconteceu com os dois funcionários ligados à Prefeitura que foram alvos de fiscalização do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), há dois meses, por suposto envolvimento de favorecimento em licitação para compra de materiais escolares? Sidnei Rocha</b> - Há uma sindicância interna, um processo administrativo para apurar o caso. Se qualquer dos envolvidos tiverem cargos de confiança do prefeito, não terão mais. <b>Comércio - 2010 será um ano eleitoral. Os tucanos Serra e Alckmin são favoritos, tanto para Presidência da República quanto para o governo do Estado. Ambos já teceram elogios sobre a sua performance frente à Prefeitura de Franca. Pode até ser que tenha que se defrontar de novo com a cruel dúvida de 1987, pois existe a possibilidade de um deles o chamar para assumir uma secretaria. Como seria de novo ter que definir essa situação? O senhor cogita essa hipótese de renunciar a prefeitura de Franca ? Sidnei Rocha</b> - O fato pode vir a existir. Pelo andar da carruagem, segundo as pesquisas, o Geraldo deve ganhar as eleições no primeiro turno e o Serra deve ser o novo presidente do Brasil. Felizmente, eu tenho um bom trânsito no partido, faço parte do diretório estadual e tenho um bom relacionamento com o governador Serra e com o ex-governador Geraldo Alckmin. E isso pode vir a ocorrer. <B>Comércio - O convite ou a renúncia? Sidnei Rocha</b> - O convite. Ele pode vir a acontecer, às vezes, não acontece. Tudo tem que ser avaliado no momento. Se vão precisar de mim, no que vão precisar de mim. Na outra vez, eu cometi um equívoco. Achei que Franca iria vibrar, porque naquele tempo, Franca ainda não tinha ninguém no governo. Só que na Vasp, o cargo era nacional, tendendo a internacional e não interiorano. Era tudo distante daqui da cidade. A situação me fez distanciar da cidade, da base, do povo. Aí, ficou parecendo que eu tinha saído de Franca para ir para a Vasp para melhorar de vida. E não foi bem isto. Aí, fizeram de mim um “defuntão” político e estou aí. Agora, se uma nova proposta surgisse, eu iria avaliar bem a situação. <B>Comércio - Vamos supor que estamos em 2011 e o Geraldo Alckmin - se fosse vitorioso para o governo do Estado de São Paulo - o convidasse para ser o secretário da Casa Civil, que é um dos postos mais complexos e talvez o de maior visibilidade do governo. O que senhor diria para ele? Sidnei Rocha</b> - Isso é muito complicado. Na verdade, a Casa Civil não é o mais complicado. É o principal cargo que o governo tem. Mas eu estudaria com bastante otimismo. <b>Comércio - Se for uma boa secretaria, uma secretaria de projeção, o senhor estaria disposto a renunciar mais uma vez? Sidnei Rocha</b> - Secretaria de projeção a pessoa precisaria ser técnica. Por exemplo, secretaria de transporte precisaria de um engenheiro. A de saúde, um médico. Sobram poucas de projeção e se não for de projeção eu nem estudo. Na prática, são poucos os cargos pelos quais eu poderia me interessar. <B>Comércio - O senhor está mesmo fora da disputa para deputado federal? Vai acompanhar a campanha de camarote? Sidnei Rocha</b> - Estou fora, mas não vou assistir de camarote, não. Vou apoiar os candidatos nossos. <b>Comércio - O Nogueira (no começo do mês, o prefeito elogiou Nogueira e disse que Franca poderia precisar dele a partir de 2011) ou Ubiali? Sidnei Rocha</b> - O Nogueira não me apoiou. Os candidatos que eu apoio são o Ubiali, o Tirso Meirelles, que será candidato por Franca pelo PSDB, o Roberto Engler e Gilson de Souza. <B>Comércio - Com estes quatro, o senhor subirá no palanque? Sidnei Rocha</b> - Subo, subo. Estes quatros, vou apoiar. Não sei como vai ser a campanha deles. Na ocasião, eles têm que conversar comigo. Também não podem ficar emburrados lá, esperando que eu vá atrás deles. Tem que vir conversar comigo e sentar, porque, às vezes, o político emburra. Não pode. Como o Tirso se filiou ao PSDB, também vou dar uma mão. Só que eu não vou eleger ninguém. Vou ajudar. Quem tem que se eleger são eles. <b>Comércio - Será uma eleição difícil? Sidnei Rocha</b> - Com certeza. Será preciso muito voto, principalmente, o PSDB. Tem muita gente confundido tudo. Na política, nem sempre as coisas se repetem. Todo mundo está querendo sair a federal pelo partido do Maluf achando que a votação que ele teve na eleição passada vai ser repetir. Não é bem assim. O cenário é outro. Se eu fosse candidato, já estaria reestruturando o meu partido e no dia 1º janeiro já sairia pedindo votos. Será muito difícil se eleger com votos só de Franca. Tem que buscar fora. <B>Comércio - O senhor citou os quatro candidatos que deverá apoiar. A vereadora Graciela Ambrósio pertence ao PP (o partido é dirigido por integrantes da administração) e deve sair a federal. O senhor dará apoio a ela? Sidnei Rocha</b> - Aí não. Porque ela é contra o prefeito na Câmara. Ela nem gostaria do meu apoio, porque o jogo político dela todo é pegar aquela “sobrinha” que tem na rejeição ao prefeito. Como ela faz oposição sistemática, ela quer ter oposição a mim. Se ela está satisfeita com aquele pouquinho que me rejeita, que ela fique com aquele pouquinho. <B>Comércio - Aquele pouquinho fez dela a vereadora mais votada nas eleições para vereador. Mesmo assim, o senhor considera desprezível? Sidnei Rocha</b> - Do ponto de vista para uma eleição para deputado, é. Cinco mil votos para deputado é muito pouco.

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