‘Não posso dar do bom e do melhor para meus filhos’


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Regina Helena Fradique mora na Vila Santa Teresinha, na Zona Norte. Aos 36 anos, é mãe de sete filhos. Três homens e quatro mulheres com 21 anos, 19, 16, 13, 5, 2 e 1 ano e nove meses de idade. Os oito moram juntos numa casa de três cômodos alugada por R$ 100. Regina se separou do segundo marido porque ele é usuário de drogas. Ela trabalhava numa fábrica de sapatos, mas o caçula nasceu com hidrocefalia e hoje ela precisa se dedicar aos cuidados da criança e da casa. Sustenta toda a família com o valor do auxílio doença do menino e salário de R$ 520 da filha de 19 anos, a única que trabalha. O filho mais velho foi despedido neste fim de ano. A família de Regina retrata a realidade da maioria dos acompanhados pelo Cras - Norte. Regina estudou até a 5ª série e deixou a escola para trabalhar e ajudar a mãe, que também não tinha marido. Aprendeu sozinha a lidar com sapatos. Nunca fez cursos. Sonha oferecer um destino diferente para os filhos. "Não posso dar do bom e do melhor para eles. Ganho cestas básicas e fraldas. Graças a Deus, porque sem ajuda não dou conta", disse. Outro desejo de Regina é encontrar no bairro onde vive alternativas para melhorar o dia-a-dia de sua família. "Para mim, o bairro precisa ter praças para diversão dos meus filhos. Podia ter uma área de esportes aqui perto". Uma das maiores preocupações na região em que vive é a violência e consumo de drogas. O receio é o mesmo sentido pelo pedreiro Sebastião Maximiano, 51. Ele mora em um apartamento no Leporace e disse flagrar com frequência usuários de drogas nas ruas e nas áreas comuns dos conjuntos habitacionais. "É o dia todo. Eles não têm hora. É um bairro ótimo, mas tem o problema com o consumo de drogas e falta de policiamento".

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