Admirável Brasil Novo


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Há alguns dias o ator americano Robin Willians disse: ‘Claro que o Rio ganhou de Chicago como sede da Olimpíada. Chicago levou Michele e Oprah e o Rio levou 50 strippers e meio quilo de cocaína’. Muita gente ficou ofendida com a declaração do ator, inclusive advogados, assim como muitos ficaram cheios de amor próprio há alguns anos com o tour dos Simpsons pela Cidade Maravilhosa. Homer foi sequestrado, Bart ficou excitado com a loira com microshort que apresentava programa infantil na TV e Lisa quase morreu de pena do garoto que não tinha o que comer, mas desfilava feliz no carnaval. Isso e muito mais está num artigo de Danilo Gentilli, comediante do CQC sobre a piada do ator supracitado acerca da escolha do Rio de Janeiro para cidade-sede da Olimpíada de 2016. Crê-se que isso nem seria motivo para tanta gente se revoltar, ofender, ameaçar processar o ator. Não, isso é bem pouco diante do que está acontecendo um palmo à frente do nariz de toda a Nação. Vejamos: Lula concedeu empréstimo para a construção do metrô da Venezuela e negou verba para o metrô de São Paulo; perdoou 95% da dívida de Moçambique; perdoou mais de metade da dívida da Nigéria; a Bolívia foi agraciada com o perdão de USD 52 milhões que devia para o Brasil e ainda de quebra, ficou com as instalações da Petrobras e empréstimos do BNDES para investimentos em infraestrutura; Cabo Verde também ganhou de presente, USD 4 milhões perdoados; Nicarágua, Cuba e até o Gabão, foram todos perdoados. Só não se tem notícia se a Colômbia também foi. Pode ser que não, vez que o governo de lá não é comunista como todos os demais que foram agraciados. Somando tudo, o perdão chega a mais de R$ 1 bilhão de reais. Dia desses li que o Brasil não pertence ao G7, mas sim ao G171. O interessante é que quem disse isso, está coberto de razão. Vamos conferir: não há verba para a escola pública; não há verba para aumentar e dignificar o salário dos professores e dos policiais; não há verba para a saúde pública; doentes morrem por falta de atendimento nos hospitais todos os dias; não há verba para treinamento e capacitação de profissionais da educação e da segurança; não há verba para construir casas dignas para a população de baixa renda; as capitais brasileiras no período das chuvas ficam embaixo d’água e as pessoas morrem de doenças que contraem pelo contato com dejetos. Também não há verbas para infraestrutura de terra, mar ou ar. Mas nem tudo é ruim. Em janeiro de 2010, por exemplo, o pessoal do sertão vai assistir a cinema de graça, com direito a pipoca e guaraná. Em fevereiro, tem carnaval. Todo o luxo e brilho pago com o dinheiro do tráfico de drogas e com o jogo do bicho mas isso é secundário. O que importa é a curtição. Lindas mulheres seminuas, os carros alegóricos brilhando. E a favela cheirando mal, as encostas dos morros deslizando em razão das chuvas, casebres arrastados, crianças e idosos soterrados, tiro pra todo o lado, bandido morto, bandido atirando, helicóptero da polícia abatido, mães e pais desesperados a proteger os filhos, mas nada disso será divulgado com as mesmas cores. Brasileiro, no entanto, continua criativo. Vem ai a “delinquenciologia”. Ufa! Nadir Ap. Cabral Bernardino Advogada formada pela FDF, pós-graduada em Política e Estratégia e Direito Ambiental

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