A última Gazetilha


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<b>Grato pela atenção </b> Esta “Gazetilha” e todas as que a antecederam foram inspiradas pelo saudoso jornalista Antônio Constantino, figura de relevo que alcançaria notoriedade, por volta dos anos 40, com a publicação de dois romances: Embrião e Casa sobre areia, quando o naturalismo e o realismo abriram os mares da ficção nacional. Constantino, redator do Comércio por cerca de 15 anos, deixou sua marca e seu estilo nas páginas desta folha de 1920 a 1935. Depois se mudaria para a Capital e iniciaria nova fase de suas atividades, bibliotecário da Faculdade de Direito da USP, e, pouco a pouco, integrando a comunidade de jornalismo da Capital, a começar pela Gazeta. O Comércio da Franca sempre foi um órgão respeitável na vida social de nossa terra. A mudança de Constantino, do Dr. Vicente de Paula Lima e de seu genitor, advogado Luís de Lima, daria uma chance para que alguns intelectuais, como Alfredo Henrique Costa, Octávio Cilurzo e este velho escriba, ganhassem as linhas da redação, época em que Alfredo Henrique Costa estava na Direção. Nesse ínterim, uma vez por semana passou a ser editada a “Gazetilha”, sob minha responsabilidade. E qual seu campo? Com a preocupação de seguir os exemplos de Antônio Constantino, procurava temas ligados à conjuntura social, econômica, ética e política, resumidos em minha pequena área do jornal dominical. Muitas vezes, os comentários eram mais do que resumidos, eram espremidos, quando eu arcava às vezes contra a clareza ou contra o estilo. Anos mais tarde, a aquisição do jornal pelo saudoso idealista José Corrêa Neves, que trouxe para sua ajuda a Profa. Sônia Machiavelli e o jovem jornalista Corrêa Neves Jr, deu novo rumo à folha. Assumiram a direção da empresa e com a colaboração de dezenas de jovens profissionais, modernizaram o jornal, ampliaram a quantidade e a qualidade dos redatores e colaboradores. Agora espero deixar este canto do jornal. O Comércio tem há algum tempo uma milícia de bons jornalistas, sabedores de nossa nobre arte. E o mestre Eduardo Frieiro, em sua A Ilusão Literária, uma das mais belas lições da arte literária, escreve, desafiando os novos jornalistas: “Quem escreve quer ser lido. Toda obra escrita destina-se à publicidade; esse é o meio de que dispõe o escritor para comunicar-se com os homens, com os quais ainda, no geral dos casos, mal avindos” (P. 9). Devo agradecer a muitos prováveis leitores, que certamente não conheci, mas a quem se destinavam minhas prováveis mensagens. E agradecer à direção do Comércio, que me tolerou, sempre guardando meu vaso de mel. A todos, portanto, sou muito grato.

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