<b>‘Sayonara’</b>
Acabo de ver o filme Sayonara, estrelado por Marlon Brando e Miiko Taka, e ponho-me a pensar em várias coisas. Primeiro, nos milagres das técnicas cinematográficas dos americanos, mormente no setor das cores, onde realizam coisas indescritíveis. Segundo, na captação da ternura humana, que revelam quando querem. Terceiro, na mudança psicológica que se opera, há algum tempo nos EE.UU, em relação aos “amarelos”, desde a “Casa de Chá do luar de agosto” até este maravilhoso poema que é Sayonara: do temor (antes da guerra) ao ódio (pós-guerra), e à compreensão, à simpatia humana de nossos dias, não nos esquecendo de que os japoneses se constituem hoje na primeira trincheira ianque no Oriente...
Essa é a história de um aviador norte-americano em serviço na Coréia que, para descansar, vai passar uns dias em Kobe, no Japão, e acaba por enamorar-se de uma bailarina do Teatro Matsubaiashy. Depois de um idílio com a jovem, o “ás” é movido para os EE.UU pois as leis americanas proibiam as ligações com “amarelos”. No entanto, vencendo os preconceitos raciais, a disciplina militar e as tradições familiares, o aviador consegue ficar com sua bailarina.
Não desejo referir-me às realizações artísticas supervisionadas por técnicos japoneses, nem ao colorido, nem à música, pois Sayonara já percorre o mundo. Mas principalmente à ternura humana que se evola do romance heróico do soldado ianque com a jovem bailarina japonesa: raramente verá outro filme mais sensível e mais belo, mais terno e mais humano, posta de lado, evidentemente, a segunda intenção política, moldura desta admirável obra de arte. Esperem e verão.
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