Foi Gilberto Gil quem escreveu que, `diferentemente dos que não gostam ou simplesmente não se encantam com os museus, e os que os vêem como resíduos do passado, eu gosto dos museus. De todo e qualquer museu.` Para o pensador alemão Walter Benjamin, `museus são casas e espaços que suscitam sonhos`. Os museus no Brasil começaram a existir no século XVII e foram se ampliando principalmente na segunda metade do século XIX. Hoje, os museus constituem importante necessidade do panorama cultural, não são vistos mais como um repositório de coisas velhas e ultrapassadas de um certo passado escolhido, mas sim como espaços de cidadania, de formação cultural, de criação, comunicação, de produção do conhecimento e da preservação do patrimônio cultural do país. Além disso, suas atividades ampliam a base econômica a partir da produção artística, gerando empregos e renda. Aqui em Franca, a experiência museal aparece a partir do empenho de José Chiachiri em constituir um Museu Histórico, isso lá nos anos 1950, que ele queria instalado no ponto de parada dos comboios de sal, a Estalagem, mas a incapacidade que a cidade tem em lidar com sua história em pedra e cal não permitiu, deixando que o prédio histórico fosse demolido, assim como tantos outros ao longo da história recente da cidade. O Museu acabou instalado e, na década de 1970, foi para o belo prédio da Câmara e Cadeia, projeto do arquiteto Victor Dubugras, que é um lugar sem qualquer possibilidade de expansão. A criação na mesma década de 70 da Pinacoteca e depois, nos anos 80, do Arquivo Histórico e do Museu da Imagem e do Som, constituem a precária e insuficiente base museal pública da cidade. Todos estão em locais inadequados. A importante iniciativa do Samello na criação do Museu do Calçado, já nos anos 90, foi o início da intervenção do setor privado na questão da preservação da memória local. Recentemente surge o Laboratório das Artes, uma experiência em construção de um Museu de Artes Visuais Modernas em Franca. O projeto do Laboratório, enquanto um museu privado, afirma-se como uma iniciativa viável, reunindo importante acervo regional, a partir da credibilidade e dinamismo do grupo que vem gerindo o projeto, pois não é preciso apenas dinheiro, mas um projeto claro e vontade, participação e envolvimento de artistas e produtores culturais. O Laboratório não pretende substituir o papel do Poder Público, mas complementar e mostrar alternativas para o desenvolvimento cultural local, que não pode ficar à mercê da atual falta de políticas públicas consistentes e do amadorismo cultural. Enfim, mostrar que artistas e cidadãos interessados em determinada vertente da cultura podem agir, criando e proporcionando acesso democrático à arte moderna, algo que a cidade ainda não foi capaz de realizar.
Mauro Ferreira
Arquiteto - Franca - SP
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