João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém. João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história. O poema Quadrilha, escrito por Carlos Drummond de Andrade, pouco tem a ver com a história de amor vivida pelo francano Felipe Molina, 25, e pela australiana Courtney Birrel, 24, a não ser pela estrofe em que um dos personagens, João, viaja para o exterior ... Não entendeu nada? Calma. A gente explica melhor. Mas se prepare e pegue seu lencinho, porque se você for do tipo sensível, vai se emocionar com o enredo digno de uma comédia romântica norte-americana. Tudo começou quando Felipe, de 25 anos, estudante de jornalismo de uma faculdade particular em Florianópolis, Santa Catarina, decidiu aproveitar a noite quente do dia 10 de novembro deste ano para fazer um passeio a pé. Desceu de um ônibus circular e em vez de fazer como nos dias normais, em que entrava em outro coletivo que o levava até em casa, decidiu caminhar. No cenário cinematográfico da Lagoa da Conceição, um dos pontos turísticos mais bonitos da ilha, avistou uma mulher com aparência estrangeira - loira, pele clara e olhos verdes - atraído por sua beleza não conseguiu desviar o olhar. Para sua surpresa ela também não desviou o seu. Felipe e Courtney (uma australiana em férias pelo mundo) quiseram conversar - um falando português e o outro inglês. O francano nunca sentiu tanta falta das aulas de inglês que perdeu ... O idioma foi a primeira barreira que venceram juntos. O papo rolou com a ajuda de um amigo da estrangeira - conhecido em Florianópolis mesmo -, que ia traduzindo o que ambos diziam. O primeiro beijo não demorou mais do que alguns minutos. O amor foi à primeira vista. Três dias depois eles já moravam juntos na casa de Felipe. Um mês depois, Courtney já entende o português e Molina "fala" bem melhor o inglês. Nesse meio tempo ela já viajou para a Argentina e Uruguai. Ia para o Chile, mas a saudade apertou e ela voltou antes do previsto para os braços daquele que passou a chamar de "amor da minha vida". A garota decidiu então conhecer Franca, terra de Felipe. Aqui, a história surpreendeu amigos, familiares e conhecidos do francano. Courtney nasceu na Austrália, em Perth, e desde os 20 anos tem uma vida de aventura e viagens pelo mundo - trabalha, junta dinheiro e viaja por alguns meses. No seu país trabalhava com hotelaria, mas seu último emprego foi em Vancouver, no Canadá, como gerente de um restaurante. Em quatro anos já conheceu as Ilhas Gregas, Turquia, Espanha, Portugal, Luxemburgo, Holanda e Bélgica. A maior novidade ela encontrou no Brasil. Em 2010 vai para Peru, Bolívia, México e Colômbia. Em maio volta para o Canadá para "fazer mais dinheiro". Courtney, que disse nunca haver se envolvido com ninguém em suas viagens, já tinha programado um roteiro de passeios antes de conhecer Felipe. Pouco mais de 30 dias após se conhecerem já se separaram, ou melhor - como preferem -, continuam juntos, mas em lugares diferentes. A australiana foi para o Rio de Janeiro no dia 16 deste mês. Dia 26 embarcou para Salvador, onde fica até fevereiro. Felipe, estudante do 3º ano de jornalismo, não tem como viajar com a amada. A intenção é se encontrar com ela no Carnaval em Diamantina (MG) ou, em abril, na Colômbia. O casal, muito apaixonado, tem certeza que a distância não vai atrapalhar e nem diminuir o amor que sentem um pelo outro. Vão seguir firmes no propósito de ficarem juntos, mesmo que, por enquanto, seja apenas através de telefone, e-mail, facebook, MSN e cartas. Felipe pensa em, quem sabe um dia, se mudar com ela para o Canadá ou para a Austrália. O certo é a intenção de seguirem juntos e apaixonados. O amor é mesmo lindo!
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