Ao longo do ano, 53 famílias de Franca tiveram suas casas invadidas por ladrões e enfrentaram o horror de ter uma arma apontada para a cabeça. Comparando-se com 2008, o crescimento deste tipo de ocorrência é de 43%. Muito mais do que um simples aumento no número de casos, o que mais assusta é o grau da violência empregada pelos marginais. Outras seis modalidades de crime também registraram aumento este ano e fizeram as estatísticas dispararem. Só os casos de roubos de veículo tiveram redução.
Em plena luz do dia, em bairros nobres ou na periferia. As quadrilhas especializadas em roubar residências não escolheram hora, lugar ou vítimas para atacar. Espancamentos, coronhadas e famílias inteiras amarradas e jogadas ao chão foram cenas presentes em boa parte dos assaltos. O terror vivido pela aposentada Julia Engane ilustra com fidelidade a selvageria. Na manhã de 5 de novembro, a mulher de 97 anos teve a casa invadida por um ex-presidiário. Foi agredida e ficou ensanguentado. Dois entregadores de gás que passavam pelo local evitaram que ela fosse estuprada. “Eu queria matar aquele bandido, desgraçado, aquela coisa”, disse ela ao Comércio dias depois.
Em 2007, a Polícia Militar registrou 34 roubos à residência na área urbana de Franca. No ano passado, foram 37. Até o dia 23 de dezembro de 2009, já eram 53 ocorrências do tipo. Para o tenente-coronel, João Paulo Macedo Brandão Júnior, comandante do 15º Batalhão sediado em Franca, esta modalidade de crime é a que mais preocupa as autoridades da cidade. “O impacto para as vítimas e o tempo do delito é bem mais longo do que em um roubo em estabelecimento. Como houve uma concentração do número de roubo em residências num período mais curto, isto acabou acelerando o processo psicológico de impactar a sociedade”.
<p style="text-align: center;"><a target="_blank" href="http://seligafranca.wordpress.com/files/2009/12/dados-da-criminalidade.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-993" title="arte/comércio da franca" src="http://seligafranca.wordpress.com/files/2009/12/dados-da-criminalidade.jpg" alt="" width="407" height="160" /></a></p>
O oficial concorda que os criminosos se tornaram mais violentos e passaram a agredir mais as vítimas durante os assaltos. Ele acredita que uma das causas para o aumento da violência seja o consumo de drogas por parte dos autores. “A difusão e o consumo maior do entorpecente redunda em crimes mais violentos”.
A explosão dos casos de roubos à residência motivou uma reunião entre as Polícias Militar, Civil e os integrantes do Gaeco (Grupo de Atuação Especial para a Prevenção e Repressão ao Crime Organizado) para definir ações conjuntas de trabalho que levassem à identificação e prisão dos ladrões.
O Ministério Público também apoiou, agilizando os pedidos de prisão temporária. “Havia vários grupos agindo e alguns foram presos, o que possibilitou o controle. Graças ao forte trabalho em conjunto, conseguimos refrear a aceleração deste crime. Ele continua crescendo, obviamente, mas não está em um patamar ainda maior graças às medidas que foram tomadas”, finalizou Brandão.
Colaborou Daniel Rodrigues
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