Matando a história


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O professor de história de Brasília, Zé Costa, em análise de acontecidos importantes na revolução russa de 1917, faz uma colocação que nos leva a refletir sobre fatos lesivos à história, que lamentavelmente estão ocorrendo entre nós: a morte da história. Assim, com muito acerto gravou expressão: “Antes de mandar matar Trotsky no México, Stálin decidiu matá-lo na história, num exemplo notório do que seria a política bolchevique de fazer sumir da história pessoas ou ideias tidas como inimigas”. O que realmente dominava os objetivos daquele momento era o supremo comando da revolução. O fato levou Stálin a um ardiloso programa de alijamento de Trotsky, então preferido pelo moribundo Lênin, enxergando nele brilhantismo intelectual e respeito ao seu partidarismo a uma revolução socialista permanente, altamente difundida na Europa para fortificar o movimento na Rússia. Foram assumidas as providências determinadas pelo camarada Stálin no sentido de se mudar o registro da história. Fotos oficiais foram adulteradas retirando-se a figura de Trotsky, que em todas as ocasiões acompanhava Lênin, monumentos receberam novas inscrições, omitindo-se sua realidade. Com a morte de Lênin em 1924, foi iniciada por Stálin a degradação da figura de Leon Trotsky, na enxurrada de calúnias, na proibição em 1925 de que ele falasse em publico. Instrumentou-se sua expulsão do partido e seu banimento da União Soviética em 1929. Stálin sempre considerou a militância de Trotsky uma ameaça a sua hegemonia, – mesmo fora da União Soviética – no movimento comunista internacional. Trotski foi assassinado por um agente soviético em sua casa do México, em 1940. Nos meios culturais, na imprensa, entre os autores, fotógrafos, deve haver respeito aos direitos de autoria, que, aliás, é previsto em legislação própria. No entanto, muitos casos são registrados na inobservância de tais preceitos. O principio vem atrelado inarredável à ética que determina dar crédito a quem criou. Entendemos que não há como justificar desmemoriadas criaturas que assumem troca de nomes em logradouros públicos. Não há como aplaudir empresas alegando em anúncio cuidar de praças e jardins em absoluto desleixo. Absurdo festejar dirigentes e entidades não preservando história e nomes em seus obeliscos. Construí-los com recursos da sociedade para esquecê-los ao abandono, servindo como depósito de lixo e feiúra da cidade, não é pratica correta. O ônus de cuidar deveria ser assumido por tais entidades ao projetá-los. Não basta que elas se auto-elogiem constantemente. Urge que cultuem a ética enaltecendo seus próprios nomes e dando dignidade aos que alardearam homenagear. A história é imutável e seu marco permanente registra grandezas e descalabros, sem autorizar mudanças na qualidade ou exclusão de seus autores por inveja ou vaidade. Feliz Natal, boa oportunidade para reflexão. Garcia Netto Jornalista

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