A vontade de ver a turma de 30 alunos se tornar mais participativa e diminuir a timidez de parte do grupo levou a professora Marli dos Santos Alves, 50, a criar uma espécie de “Xou da Xuxa” em Patrocínio Paulista no final dos anos 80. Após alguns dias de ensaio, os alunos, crianças de seis anos, dublaram músicas da Xuxa na própria escola. O resultado não poderia ter sido melhor. Em pouco tempo, o que não passava de uma brincadeira atraiu atenção das outras escolas da cidade que também queriam ver a apresentação. Marli nunca mais parou e em 1993 criou o Projeto Sonho de Criança.
Hoje são 90 pessoas com idades entre 4 e 23 anos que não pagam nada para participar das atividades. O grupo não tem dinheiro, já a fama se espalhou. “Fazemos apresentações em Franca, Cássia Capetinga, Batatais, Itirapuã e duas vezes em São Paulo. Ensaiamos o ano todo para estas apresentações que acontecem nos meses de outubro e dezembro”, conta Marli orgulhosa.
Com o tempo, outros ritmos foram acrescentados ao repertório. No começo, os ensaios eram feitos na escola ou na casa da professora.Hoje são realizados no Clube Meia-Noite que cedeu um espaço para o projeto. A fórmula quase não mudou. “Continuamos com as dublagens, mas agora os alunos encenam e usam até fantasias”, disse Marli, que tem o apoio de costureiras que não cobram pelo trabalho. “Minha mãe e as de alunos também ajudam muito”.
<b>RECURSOS</b>
Até este ano, as atividades eram desenvolvidas com apoio da Prefeitura que ajudava na montagem dos palcos para as apresentações e da Usina Cevasa que repassava dinheiro para a aquisição dos tecidos para as fantasias. A partir do próximo ano, a entidade contará com recursos da Secretaria Estadual de Cultura que liberará R$ 60 mil por ano durante três anos.
O dinheiro deve ser usado na aquisição de equipamento, principalmente, em uma aparelhagem de som, e no pagamento do salário de professores. “Era um sonho que eu queria muito realizar. Agora poderemos ter aulas de violão e teclado, além de melhorar o curso de dança. O meu objetivo sempre foi o de contribuir para o desenvolvimento integral, cultural, afetivo e social dos envolvidos e possibilitar a inclusão das crianças com necessidades especiais, rompendo barreiras e preconceitos para uma sociedade mais justa e igualitária”, afirmou a professora que fará a próxima apresentação no dia 20 de dezembro às 20 horas no Clube Meia-Noite.
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