<p style="text-align: justify; ">Palmares é uma cidade de 60 mil habitantes localizada no interior de Pernambuco e conhecida por ser berço de renomados poetas pernambucanos. Foi lá que, há 58 anos, nasceu Marcelo Silva. O gosto pela escrita e pelas palavras, que sempre o marcou, não foi esquecido, mas formou-se em Economia pela Universidade Federal do Estado e construiu uma sólida carreira na administração de empresas na região nordeste.</p>
<p><div style="text-align: justify; "><br /></div><div style="text-align: justify; ">Foi o funcionário mais jovem a ocupar um cargo de gerência na Arthur Andersen, do Recife, conceituada empresa de auditoria, onde ficou por sete anos. Durante 24 anos, comandou a Rede Bompreço, uma das gigantes do setor de supermercados daquela região. Em 2002, deu um salto na carreira e chegou a São Paulo para assumir o cargo de principal executivo das Casas Pernambucanas. Ficou na empresa até de 2009.</div></p>
<p><div style="text-align: justify; "><br /></div><div style="text-align: justify; ">Em abril, chegou a Franca para ser o novo superintendente do Magazine Luiza. Tem sob seu comando um exército formado por mais de 13 mil funcionários e uma rede de 456 lojas em sete estados diferentes. O executivo trocou a vida agitada do maior centro financeiro do País para despachar em um escritório localizado na sede da empresa, no Centro da cidade.</div></p>
<p><div style="text-align: justify; "><br /></div><div style="text-align: justify; ">Foi um dos responsáveis pelo crescimento do grupo que, mesmo em um ano de crise econômica mundial, viu seu faturamento chegar a R$ 3,8 bilhões. Montante 20% superior ao verificado no ano passado. Marcelo Silva prevê um resultado ainda melhor em 2010. A meta do Magazine é consolidar sua presença em São Paulo e, para isto, espera abrir pelo menos 20 lojas e 1,5 mil empregos. O superintendente avisa que a rede não se abalou com a investida do Pão de Açúcar, que comprou a Casas Bahia, e afirmou que possibilidades de aquisição não serão descartadas. “Estamos preparados para enfrentar a concorrência”.</div></p>
<p><div style="text-align: justify; "><br /></div><div style="text-align: justify; ">Honrando a tradição dos moradores de Palmares, Marcelo Silva, também mostrou que é bom na escrita. Na noite de quarta-feira, fez o lançamento do seu livro Gente não é Salame!, em uma noite de autógrafos no espaço da boate do Franca Shopping. Foi lá que recebeu a reportagem para esta entrevista. </div></p>
<p><div style="text-align: justify; "><strong>Comércio - Por que gente não é salame?</strong></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Marcelo Silva -</strong> Em um dos capítulos deste livro, estou citando um momento em que vivi. Quando trabalhava na Rede de Supermercado Bompreço no nordeste, estávamos com dificuldades para cobrir o orçamento de vendas. A primeira coisa que se pensa numa hora destas é cortar gente, reduzir custos. Então, estávamos discutindo qual o percentual de corte e um amigo de diretoria perguntou: estamos tratando de gente ou de salame? Todo mundo parou após ouvir a frase. Isto me marcou muito. No início, o título do livro era provisório, mas o tempo passou e não conseguimos mais tirá-lo. O que queremos dizer é que as pessoas têm de estar em primeiro lugar. A empresa deve procurar aumentar suas receitas e cortar outros tipos de custos, mas não gente. A coisa mais importante que o ser humano tem depois de sua vida é o seu trabalho. Como diz o Gonzaguinha: “Sem o seu trabalho, o homem não tem hon ra e, sem sua honra, se morre e se mata”. Depois, em minha vida toda, constatei que pessoal é a última das últimas coisas a cortar e não a primeira, como normalmente se faz.</span></div></strong></p>
<p><div style="text-align: justify; "><strong>Comércio - Esta mentalidade que o senhor aprendeu no nordeste é um modelo seguido pelo Magazine?</strong></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Marcelo Silva -</strong> Eu vim para o Magazine exatamente porque os valores da empresa coincidem com os meus valores. O Magazine coloca os seus colaboradores e seus clientes em primeiro lugar. Então, isto tem tudo a ver comigo. Quando a Luiza Helena me convidou para vir para cá, eu vim com todo o prazer e toda a vontade, porque eu sabia que encontraria uma empresa que pratica os princípios que eu acredito.</span></div></strong></p>
<p><div style="text-align: justify; "><strong>Comércio - Foram 24 anos trabalhando na Rede Bompreço no nordeste, outros seis anos e meio na Pernambucanas e, desde abril, Magazine Luiza. O que difere o Magazine das outras empresas?</strong></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Marcelo Silva -</strong> É o DNA do Magazine Luiza. São os valores que prevalecem na empresa. O Magazine privilegia as pessoas em relação a qualquer outra coisa.</span></div></strong></p>
<p><div style="text-align: justify; "><strong>Comércio - De onde o senhor despacha?</strong></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Marcelo Silva -</strong> De Franca. Eu passo a semana toda na cidade. Trabalho junto com os colegas no escritório, na sede da empresa. Com o crescimento do Magazine Luiza, a empresa precisava, cada vez mais, fortalecer sua estrutura, porque estamos com 456 lojas, mas temos planos futuros, a longo prazo, de continuar crescendo. O Magazine é uma das empresas de varejo que mais cresceu nos últimos anos. E ela quer continuar crescendo. Então, eu vim compor um quadro com a ideia de somar com os colegas e fortalecer a gestão profissional que já existia. Normalmente, venho para Franca no domingo à noite e fico aqui até quinta ou sexta-feira, dependendo dos compromissos na Capital (a mulher e os filhos continuam morando em São Paulo).</span></div></strong></p>
<p><div style="text-align: justify; "><strong>Comércio - Como é sua rotina na cidade?</strong></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Marcelo Silva -</strong> Estou morando muito perto do escritório, em um prédio ao lado. Então, acordo cedo, faço meus exercícios, leio os jornais e chego à empresa por volta das 8 horas. Gosto de chegar cedo e arrumar minha agenda. Quando o expediente começa, já estou com minha agenda preparada. Ai, começo a participar de reuniões e discussões com os colegas sobre as estratégias. Despacho com a Luiza Helena e participo da vida da empresa com muito gosto e muita força. Quando a gente faz as coisas com satisfação, com motivação, o dia passa e a gente nem percebe. Quando vejo, já são 19h30, 20 horas. Depois, vou para meu apartamento. Muitas vezes, minha mulher vem de São Paulo e passa alguns dias aqui. Gostamos muito de Franca. A cidade é muito acolhedora. </span></div></strong><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Comércio - Como é deixar São Paulo, o maior centro financeiro do País, para trabalhar em Franca? Foi uma mudança brusca?</strong></span></div><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Marcelo Silva -</strong> Não, porque, numa função como a minha, entro na empresa às 8 horas e saio às 20 horas. Então, não muda muito. Uma grande diferença é o trânsito. Aqui nem pego o carro. Para ir trabalhar, apenas atravesso a rua. Diria que são facilidades. Ganhamos muito tempo aqui, ao contrário do que acontece em São Paulo. Me dou muito bem aqui. Nasci no interior de Pernambuco. Gosto da gente do interior.</span></div></strong></p>
<p><div style="text-align: justify; "><strong>Comércio - O que o senhor faz em Franca nos momentos de folga?</strong></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Marcelo Silva -</strong> Vou ver os jogos do Franca Basquete. O Erasmo, que lamentavelmente faleceu recentemente, foi comigo ver o time várias vezes. Gosto de ver o Hélio Rubens com aquela garra. Também vou a alguns restaurantes. Quando fico na cidade nos fins de semana, vou passear pelos arredores. Se você tem um relacionamento bom, você vive bem em qualquer lugar.</span></div></strong></p>
<p><div style="text-align: justify; "><strong>Comércio - Como é gerenciar um exército formado por 13 mil pessoas e 456 lojas?</strong></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Marcelo Silva -</strong> É um desafio muito grande. A empresa tem que ter estrutura e uma equipe comprometida, como é o caso Magazine Luiza. Cheguei aqui e encontrei uma equipe de primeira categoria e, como uma vantagem, altamente comprometida. São pessoas que podem trabalhar em qualquer grande empresa do Brasil. Isto facilita. Aliar as capacidades dos funcionários, com a confiança e motivação que eles têm na empresa, faz uma diferença muito grande. Uma das razões do sucesso do Magazine Luiza é a sua gente.</span></div></strong></p>
<p><div style="text-align: justify; "><strong>Comércio - Como o senhor viu a compra das Casas Bahia pelo Grupo Pão de Açúcar?</strong></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Marcelo Silva -</strong> Considerei uma operação ousada, como é uma característica do Pão de Açúcar. O Pão de Açúcar é uma empresa muito agressiva. Não foi a primeira e, talvez, não seja a última das grandes aquisições que eles têm feito. Acabaram de fazer a compra do Ponto Frio e, agora, compraram as Casas Bahia. É uma opção deles de crescerem neste ramo de eletro-eletrônicos. Considero uma iniciativa bem agressiva. Não acho que muda muito o mercado. Ao invés de termos duas grandes empresas competindo, vamos ter uma. Os concorrentes têm que ter competência. Se tiverem, vão continuar sua vida. Caso contrário, enfrentarão problemas.</span></div></strong></p>
<p><div style="text-align: justify; "><strong>Comércio - O Magazine tem esta competência?</strong></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Marcelo Silva -</strong> A empresa tem muita competência, muita competência. O Magazine vem crescendo em todos os sentidos, nas suas estruturas, nos seus processos, na sua tecnologia e na sua logística. A estruturação acontece ao longo dos anos. Minha vinda para cá e a de outras pessoas têm este objetivo. Vamos nos estruturar cada vez mais para enfrentar os concorrentes. O Magazine é pioneira de campanhas publicitárias fortíssimas, como a Liquidação Fantástica e o Só Amanhã. O Magazine teve o primeiro site de comércio eletrônico do varejo do Brasil, foi a primeira empresa, há dez anos, a firmar uma parceria com uma instituição financeira, o Unibanco. A parceria com o Itaú/Unibanco foi renovada por mais 20 anos, o que propiciou a entrada de R$ 250 milhões no caixa da empresa. O Magazine tem alta credibilidade junto aos fornecedores e sistema financeiro. A empresa está capacitada, está preparada para enfrentar a competição. O Magazine Luiza está preparado para enfrentar a concorrência, como sempre esteve.</span></div></strong></p>
<p><div style="text-align: justify; "><strong>Comércio - O “troco” será dado no Pão de Açúcar? O Magazine negocia alguma grande aquisição?</strong></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Marcelo Silva -</strong> Nossa presidente - Luiza Helena - declarou, recentemente, que a empresa está aberta para discutir aquisições ou fusões. Não temos nada em vista. Isto é uma coisa que acontece. Se surgir oportunidade, vamos analisar. Pode acontecer.</span></div></strong></p>
<p><div style="text-align: justify; "><strong>Comércio - A Pernambucanas pode ser um alvo?</strong></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Marcelo Silva -</strong> Não creio. Pelo o que eu saiba, todas as investidas que surgiram na empresa, ela sempre rejeitou. Trabalhei lá seis anos e meio e a empresa nunca esteve aberta para discutir este assunto.</span></div></strong></p>
<p><div style="text-align: justify; "><strong>Comércio - Novas fusões podem acontecer? O mercado pode ser chacoalhado novamente com algo do tipo?</strong></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Marcelo Silva -</strong> Neste ramo, não vejo nenhuma movimentação neste sentido. Pode ser que aconteça em outros setores. Estas coisas não são planejadas. Dependem da oportunidade. De repente, percebe-se dos dois lados que há a possibilidade de se fazer um grande negócio. Como eu já disse, se houver possibilidade, o Magazine Luiza poderá analisar, mas não temos nada em vista.</span></div></strong></p>
<p><div style="text-align: justify; "><strong>Comércio - A iniciativa do Pão de Açúcar foi uma grande surpresa, acredito que ninguém esperava...</strong></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Marcelo Silva -</strong> Não, ninguém esperava. Ninguém mesmo. Pegou todo mundo de surpresa. Só sabiam aquelas pessoas que, pelo que me consta, declararam à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) que participaram da transação. O mercado financeiro, o mercado do varejo, o mercado de fornecedores foram todos surpreendidos.</span></div></strong></p>
<p><div style="text-align: justify; "><strong>Comércio - A fusão de grandes empresas em uma só é boa para o cliente?</strong></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Marcelo Silva -</strong> Quanto mais competição, mais saudável é o mercado. A concentração, talvez, não seja o melhor. A gente nem pode falar nisto, porque podemos participar de uma grande aquisição. O consumidor deve ter opções. Quanto mais opções melhor.</span></div></strong></p>
<p><div style="text-align: justify; "><strong>Comércio - O Magazine fechará o ano com um faturamento de R$ 3,8 bilhões e um crescimento de 20% em relação ao ano passado. O desempenho ficou dentro do esperado?</strong></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Marcelo Silva -</strong> Tivemos um primeiro trimestre difícil por conta da crise internacional. A partir de abril, começou a haver uma melhoria no faturamento de todas as empresas. O governo ajudou liberando crédito e reduzindo IPI. Com isto, começamos a crescer novamente. O desempenho foi positivo e esperamos mais para o ano que vem. O País voltou a gerar empregos e isto é bom para todo mundo.</span></div></strong></p>
<p><div style="text-align: justify; "><strong>Comércio - Quantos empregos a empresa espera gerar no ano que vem?</strong></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Marcelo Silva -</strong> Este ano, em plena crise, abrimos 12 lojas. Esperamos abrir umas 20 lojas em 2010. Será um crescimento normal, planejado. A ideia é consolidar nossa atuação na grande São Paulo. Acredito que serão abertos 1,5 mil empregos.</span></div></strong></p>
<p><div style="text-align: justify; "><strong>Comércio - Qual a previsão de faturamento para 2010?</strong></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Marcelo Silva -</strong> É complicado falar em termos de valores. Esperamos ter um bom crescimento no próximo ano, superior ao crescimento do PIB (Produto Interno Bruto). Isto, eu posso lhe dizer. Se o do PIB é de 5%, o Magazine Luiza vai ter mais que o dobro desse crescimento, porque a empresa cresce em função do País e cresce também em função da capacidade de seu quadro.</span></div></strong></p>
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