A quinta das seis parcelas do pagamento de ex-funcionários da Calçados Samello, estabelecidas dentro do processo de recuperação judicial, está atrasada há 18 dias. Mais de 700 francanos e cerca de 500 paraibanos estão à espera de R$ 750 mil. A Samello, que já pagou quatro parcelas da dívida total, disse não ter recebido do comprador de uma fazenda do grupo, localizada em Uberaba (MG), o valor mensal combinado. Na tarde de ontem, Miguel Sábio de Mello Neto, presidente da indústria, entrou em contato com o Sindicato dos Sapateiros - que intermedia as negociações com os trabalhadores - e disse que comprador propôs depositar R$ 300 mil hoje na conta da Samello e o restante daqui a duas semanas.
Se pelo menos parte do pagamento não ocorrer nesta sexta-feira, o Sindicato dos Sapateiros deve convocar uma assembléia na segunda-feira. “Iremos decidir se esperamos o dinheiro ou se vamos até o Rio de Janeiro tentar agilizar o pagamento”, disse Sebastião Ronaldo, presidente da entidade.
O processo de recuperação judicial da Samello começou em 2007 quando a empresa fechou as portas com uma dívida trabalhista de, pelo menos, R$ 4,2 milhões. Os ex-funcionários tiveram que esperar por mais de dois anos até que recebessem a primeira parcela. Em maio deste ano, o repasse aos funcionários foi estabelecido: primeiro uma parcela de R$ 800 mil em julho, além de duas de R$ 500 mil em agosto e setembro e mais quatro parcelas de R$ 750 mil a serem pagas de outubro a dezembro.
No repasse das primeiras parcelas também houve atrasos. “Mas foi menor. No mês de outubro eles tiveram que esperar cerca de dez dias, mas agora o atraso já chega a quase vinte dias”, disse Ronaldo.
BOA FÉ
O Sindicato dos Sapateiros tem considerado ágil a intenção da Samello de fazer os pagamentos. Ontem, o presidente da empresa, Miguel Sábio de Mello Neto, que preferiu não atender a imprensa, procurou pelo menos três vezes o sindicato para dar satisfações da negociação com o comprador da fazenda. “O Miguel está bastante preocupado em resolver essa situação. Quer que o dinheiro chegue o quanto antes. Os ex-funcionários é que não estão com muita paciência de esperar. Está todo mundo querendo receber”, disse Ronaldo.
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