Dez animais são assassinados no Jardim Líbano


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REVOLTA - O vendedor ambulante Antônio Atanázio Calazans mostra o boletim de ocorrência que registrou na polícia indignado com a morte de oito de seus gatos ontem. Ele acredita que os animais foram envenenados por vizinhos
REVOLTA - O vendedor ambulante Antônio Atanázio Calazans mostra o boletim de ocorrência que registrou na polícia indignado com a morte de oito de seus gatos ontem. Ele acredita que os animais foram envenenados por vizinhos
Todo fim de tarde, quando o vendedor ambulante Antônio Atanázio Calazans apontava de bicicleta na esquina de casa seus gatos corriam pela rua ao seu encontro. Ele criava dez gatos, todos parentes. Sempre era visto conversando ou brincando com eles. Antônio, que tem 61 anos, não será mais recepcionado pelos bichanos quando chegar do trabalho. Na manhã de ontem, oito gatos dele apareceram mortos. Quando o filho lhe avisou, não havia mais tempo para socorro. No intervalo de uma semana, esse foi o terceiro assassinato de animais na Rua Jamil Nassin Mellem, no Jardim Líbano. Outros dois vizinhos perderam seus cachorros envenenados nos últimos dias. No total, dez animais foram mortos. Antônio, mais conhecido como “Baiano”, possui uma barraca na Praça do Itaú. Ficou abalado com a morte dos gatos e nem conseguiu trabalhar ontem. “Estou chorando, estou triste, estou magoado porque fizeram isso com minha criação, que não merece isso. Meu Deus do céu, não pode acontecer isso. Tem dó de mim. Não quero viver nesse mundo mais, é muita ruindade”, disse, aos prantos. Um dos filhotes ficou agonizando até o começo da tarde e acabou morrendo também. Ele acredita que foram envenenados por algum vizinho. Os moradores da rua já haviam se queixado com Antônio que seus gatos invadiam as casas. “Um vizinho reclamou que meus gatinhos estavam subindo no carro dele e riscando. Ele falou que ia matar meus gatos. A pessoa que fez essa tragédia com minha criação pegou pesado. Isso é um crime e ela vai pagar. Se não pagar com a Justiça da Terra, vai pagar com Deus, que não falha”. Antônio criava 14 bichos em sua casa, um imóvel simples que nem portão possui. Além dos dez gatos, tem quatro cães. Não foi a primeira vez que seus animais foram vítimas de violência. “Deram pauladas num cachorro meu e ele está com a pata quebrada. Já mataram outros cachorros meus também. Sei que tenho muita criação, mas pego amor e quando dão cria não consigo doar”, disse. Um dos cachorros envenenados na semana passada era de seu filho, que mora na casa ao lado. “Jogaram carne com veneno pelo buraco do portão dentro da garagem e o cachorro comeu. Meu filho cria 12 cachorros”. Vizinhos disseram que a presença de cães e gatos perambulando pela Rua Jamil Nassin Mellem é constante. Os próprios moradores, inclusive Antônio, deixam os animais soltos e outras pessoas abandonam alguns no bairro. Uma cachorra de Antônio chegou a dar cria num terreno baldio do bairro. “Eles fazem sujeira, latem e avançam nas pessoas”, disse um grupo de três vizinhos que não quis se identificar. Na Vigilância Ambiental há registrada uma reclamação contra o mau cheiro gerado pelos bichos criados por Antônio. “A queixa foi feita em outubro de 2007. Ele foi notificado na época e retirou alguns animais da casa”, disse Fernando Baldochi, chefe de Vigilância em Saúde. Os moradores sugerem programas para controlar a população canina e felina no município. “Os animais incomodam, mas a matança não é o caminho para resolver o problema. O que fizeram com os gatos é uma crueldade. Presenciei alguns animais morrendo e é muito triste. A solução seria castrar os bichos”, disse José Aparecido de Souza, 47, que mora no Jardim Líbano há seis anos (leia mais no apoio). Antônio procurou a polícia e registrou ocorrência. Segundo o delegado do 3º Distrito Policial, Daniel Radaeli, o caso será investigado. “Vamos apurar quem é o autor que responderá por crime de crueldade contra animais, que prevê pena de três meses a um ano de detenção e multa”, disse Radaeli.

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