Acidentes na Dompieri mobilizam vizinhança


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BASTA - Janete Pimenta de Pádua viveu momentos de apreensão com o acidente envolvendo a mãe
BASTA - Janete Pimenta de Pádua viveu momentos de apreensão com o acidente envolvendo a mãe
Foi preciso mais um acidente de trânsito na Avenida Orlando Dompieri para moradores e comerciantes da Vila Imperador, Santa Adélia e Chico Júlio se mobilizarem e reivindicarem mudanças eficazes naquela via. No último dia 11 de dezembro, a aposentada Irani Ferreira de Pádua, 65, saiu de sua casa, localizada na Rua Carlos de Vilhena, para realizar uma de suas tarefas domésticas: fazer compras em um açougue na avenida. Ao retornar, Irani foi atropelada por um carro. Com a queda, ela sofreu traumatismo craniano e fraturou o ombro esquerdo. Levada à Santa Casa de Franca, a aposentada permanece internada com derrame cerebral. A filha de Irani, a pespontadeira Janete Pimenta de Pádua, 43, se diz revoltada. Tanto que decidiu organizar um manifesto (abaixo-assinado) para solicitar alternativas que possam diminuir ou extinguir a violência do trânsito no local. "Morei por 20 anos próximo à Avenida Orlando Dompieri e sei os riscos que ela oferece para a população. Infelizmente, só agora que aconteceu algo com alguém da minha família é que resolvi dar um basta", comenta Janete. O desrespeito à velocidade máxima da via é uma das maiores preocupações. Ela espera sua mãe melhorar para sair às ruas pessoalmente para iniciar a coleta de assinaturas para que uma providência qualquer seja tomada o quanto antes. O comerciante Antônio Gonçalves de Melo Filho, 61, proprietário da Casa de Carnes Santa Adélia e também morador na avenida há 20 anos, apoia a decisão de Janete. "Semanalmente acontece um acidente nessa avenida. Podia voltar a época das lombadas ou até mesmo a criação de um semáforo", contou. Como as cenas de acidentes têm sido frequentes, os próprios comerciantes e moradores criaram formas para evitar que os números das tragédias aumente. Em horários de pico - quando o tempo de espera para cruzar entre uma pista e outra leva em média de três a cinco minutos - funcionários dos estabelecimentos da Orlando Dompieri e moradores, ajudam crianças e idosos que desejam cruzar a pista. A gerente do Varejão Irmãos Patrocínio, Cilene de Lima, 39, comenta que seus próprios funcionários, sempre que possível ajudam os clientes, em sua maioria idosos, a atravessarem a Avenida Orlando Dompieri. "Eles (idosos) temem ser mais uma vítima do trânsito". O gerente da Alvescar, Márcio Leal Elias, 26, há nove anos diz presenciar colisões em frente ao seu estabelecimento. O balconista da loja Planalto Verde Tintas, Rodrigo Cesar Fagundes, 31, também observa as transformações da avenida de forma apreensiva. "A cidade toda está crescendo e as pessoas não se educam para as regras do trânsito. Os idosos são as principais vítimas", observa. Uma das histórias mais impressionantes envolve o empresário Eliel Felipe, proprietário da loja Felipe Bike (localizada no quarteirão que divide as avenidas Chico Júlio e Orlando Dompieri). Ele teve a mãe, Esméria Maria Felipe, 61, e a avó, Geralda Maria Faria, 82, atropeladas na avenida em anos distintos. Em 1993, Geralda ao atravessar a avenida foi colhida por uma caminhonete e morreu no local. Em 2002, sua mãe Esméria sofreu um acidente parecido e teve fratura exposta nas pernas e braços. "Minha recuperação levou mais de 11 meses", comenta a mulher que sente até os dias de hoje medo ao atravessar a Orlando Dompieri. Esméria conhece Irani e sua filha Janete. Lamentou o acidente da amiga e já prometeu assinar o abaixo-assinado.

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