O efeito gangorra mostrou sua força em Franca nesse mês de novembro. O resultado entre admissões e demissões demonstrou que não importa quão bom tenha sido um período (no quesito contratações), a sazonalidade típica do setor calçadista impera e o “facão de fim de ano” age. Depois de bater o recorde de contratações em outubro, Franca fez com que a região liderasse o número de demissões em novembro. O índice de nível de emprego industrial foi divulgado ontem pelo Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), que consultou 36 áreas em todo Estado de São Paulo. Com 700 trabalhadores demitidos, a regional de Franca teve o pior resultado no Estado.
A pesquisa é feita por amostragem. Todos os meses o Ciesp consulta o mesmo grupo de empresas, de diferentes segmentos, para acompanhar demissões e contrações. Os setores consultados têm pesos diferentes, de acordo com a economia de cada cidade.
A regional de Franca engloba 19 municípios, onde foram consultados 11 segmentos. O de artefatos de couro, calçados e artigos para viagem puxou a queda, sendo responsável por 4,15% das demissões. André Rebelo, gerente do departamento de pesquisas e estudos econômicos do Ciesp, disse que o resultado comprova a sazonalidade vivida pelo setor calçadista no fim do ano. “A economia de Franca tem 40% do PIB da região e está ligada a couro e calçado. O setor terminou o período de alta produção para atender compras de Natal e começou o processo de demissão para pensar estratégias e produzir modelos para a Couromoda (feira realizada em São Paulo em janeiro). É um período que podemos chamar de entressafra. Em fevereiro voltará a contratar”, disse ele.
A pesquisa repete o cenário dos anos anteriores, conforme apontado pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). Só em novembro de 2008 foram fechados 2.226 postos de trabalhos em Franca.
O levantamento do Caged do mês passado ainda não foi divulgado, mas o número de demitidos deve ter sido ainda maior que o de 2008. Isto porque em outubro a quantidade de pessoas contratadas na região bateu recordes. Em outubro, o total de empregos criados em Franca foi o maior do interior e só perdeu para a capital do Estado. Por consequência, em novembro havia mais pessoas a serem demitidas.
MOVIMENTO
O Ministério do Trabalho em Franca já sentiu os reflexos das demissões de novembro. O atendimento foi recorde no início deste mês. Segundo Jamil Leonardi, gerente regional da unidade, nos dois últimos dias foram atendidas mais de 550 pessoas para dar entrada no seguro-desemprego. O maior movimento é resultado dos 30 dias de greve no Ministério, mas Jamil também credita o aumento da demanda à sazonalidade do setor calçadista. “As empresas de calçados precisam demitir até 31 de dezembro por causa da data base da categoria que é em fevereiro. A legislação não permite que demissões ocorram num intervalo inferior a um mês do dissídio”, explicou ele.
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