A época de comemorações está plenamente instalada no imaginário cotidiano das pessoas. Aquele ar de aparente alegria corre solto por toda parte em formato de múltiplas compras e muito consumo, como sempre. E, junto ao clima de Natal ou Ano Bom também caminha paralelamente a costumeira e postiça felicidade dentro dos mais diversificados perfis psicológicos.
Os sete dias da semana servem de motivos para festas. Na segunda-feira, a justificativa fica por conta de se aproveitar as sobras do final de semana. Na terça tem o jantar de formatura. A quarta está reservada para a feijoada, normalmente regada a bebida fermentada ou qualquer outra destilada. Quinta entrou permanentemente no calendário semanal de bebericações e comemorações, para antecipar os festejos etílicos dos três dias restantes.
Com tanta carne, bebida e barriga, não sobra tempo nenhum para uma curta caminhada. Ou, o que seria ainda melhor, uma leve corrida de pelo menos cinco quilômetros diariamente. O corpo e a mente sempre agradecem qualquer movimentação física. A manifestação de gratidão vem na forma de um inigualável bem-estar físico e psicológico, dificilmente conseguido em festas.
Mas a alegria só é buscada em festejos. A última quinta-feira foi marcada por mais um assassinato em Franca. Aliás, o segundo, num espaço de 13 horas. Embora por motivos diferentes, os dois fatos se bifurcam e deságuam em um único lamaçal: o uso de drogas. Claro, legal ou ilegal, todo agente modificador do modo de pensar entra como elemento catalisador de violência em qualquer ambiente festivo.
Alguns companheiros de trabalho fizeram uma festa. O final trágico pode ser resumido pelos títulos da notícia redigida por repórter deste jornal e da Difusora, Daniel Rodrigues, para a edição do sábado último deste Comércio: ‘Crime entre amigos. Eletricista assassinado durante churrasco. Vítima levou facada no abdome durante briga com amigo em casa alugada que servia de alojamento’. No assassinato anterior, agressor e vítima bebiam juntos pouco antes do crime.
Na quarta-feira, um jovem de 20 anos foi executado com seis tiros no Jardim Aeroporto III, supostamente por envolvimento com drogas ilícitas. No início, todo consumo de entorpecentes se aproxima de uma festa. Cria-se a sensação de um barato total. Depois...
Fechando a trinca de mortes violentas ocorridas em praticamente três dias, mais uma vez um ambiente de festa esteve por perto. Após ter passado a tarde em um espetinho da Vila Rezende, um mecânico foi brutalmente morto com 13 facadas pelas costas. A desavença era antiga entre os desafetos. Nesse dia se encontraram no estabelecimento ‘bebemorativo’, houve discussão e posteriormente o assassinato.
Não bastassem as agressões de trânsito, a violência perpetrada durante os assaltos, surge agora essa modalidade de assassinatos gratuitos em ambientes festivos! Se bem que brigas sempre foram comuns em festas.
Antônio Araújo
Professor de redação - tonin.palavras@uol.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.