Há um apagão mais terrível do que o que acometeu alguns Estados do nosso País. Trata-se do apagão mental/moral que está acontecendo nas últimas décadas. Veja-se o que ocorre na educação. Estamos sob a vigência do chamado `círculo da mediocridade`, isto é, aquele no qual o professor finge que ensina, o aluno finge que aprende e o Estado finge que remunera. Só fingimento, como se tal atitude não tivesse drásticas consequências.
Nunca a educação atingiu níveis tão baixos. Na sala de aula a autoridade do professor é contestada por alunos provenientes de lares desestruturados. Transferiu-se para a escola a abrigatoriedade que compete ao lar, como se à escola unicamente coubesse a inadiável tarefa de formar caráter. Lares mal formados e, na maioria das vezes, formados às pressas, entregam à sociedade gerações e gerações sem qualquer orientação, até porque os pais não tem o que oferecer. E estas mesmas gerações são as que estão em permanente busca dos seus direitos, sem querer saber de deveres. Aí, a balança pende para um só lado. Diz um amigo que estamos vivendo a ressaca da Constituição Cidadã, que previu muitos direitos e quase nenhuma responsabilidade. Os educadores, não recebem remuneração digna. Do Estado não têm ajuda e, quase sempre, para conseguirem remuneração digna, são obrigados a saltar de escola em escola, o que lhes impossibilita um melhor preparo para a tarefa da educar.
O resultado está aí: cada dia vemos profissionais mal formados oferecendo serviços de péssima qualidade à comunidade que, com o pagamento dos impostos, paga a formação dos profissionais. Este é o pior apagão? Ainda não! Há outro pior, o apagão moral que assola o Brasil! Diariamente os meios de comunicação estão a falar de corrupção em todos os níveis, em desmandos, em desídia, em obras super faturadas e subqualificadas, em suborno, em tráfico de influências, em impunidade, em desvios de toda ordem, em venda de gabarito de provas, em cartas marcadas nos diversos concursos, em venda de sentenças, em dinheiro na cueca e na meia, tudo às custas do povo. Temos uma total balbúrdia na lei e na ordem, tudo porque a sociedade está imbuída da busca do sucesso a qualquer custo, do ganho a qualquer preço, do enriquecimento fácil, do materialismo, finalmente. Os fins estão a justificar os meios. É o `cada um por si` e o `salve-se quem puder`.
Faltam líderes e lideranças para dizer um basta a esta situação. Acreditamos que chegou a hora da transição. Vamos passar para um mundo melhor mas, antes, é preciso que as antigas estruturas sejam derribadas. Diz-nos o Evangelho que `aquele que perseverar até o fim será salvo". Daí porque não devermos engrossar a onda dos aproveitadores, dos oportunistas, dos espertalhões. Façamos a nossa parte e iniciaremos a mudança. A regra áurea da vida é: `Fazei aos outros o que quereis que vos seja feito`, conforme nos ensinou Jesus.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais e diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca (IDEFRAN)
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