As férias estão próximas e estar longe da escola não é sinônimo só de descanso, mas de alerta para os pais. Em Franca, não existem estatísticas, mas todos os médicos e bombeiros confirmam o aumento da incidência de acidentes envolvendo crianças neste período. A partir do dia 18, 28.900 crianças menores de dez anos da rede pública de ensino entrarão em férias. O sinal vermelho em casa e nas brincadeiras na rua estará aceso.
Marcelo Bittar, presidente da Sociedade de Pediatria do Estado de São Paulo - Regional de Franca e médico na Santa Casa, disse que as causas externas são a segunda razão das mortes de crianças abaixo de cinco anos. Para o pediatra, a melhor prevenção é observar cada passo dos filhos e evitar situações de risco.
<p style="text-align: center;"><a target="_blank" href="http://gcncomunica.wordpress.com/files/2009/12/tragedias-na-regiao.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3103" title="arte/comércio da franca" src="http://gcncomunica.wordpress.com/files/2009/12/tragedias-na-regiao.jpg" alt="" width="400" height="408" /></a></p>
As ocorrências mais comuns são queimaduras, afogamentos, atropelamentos e quedas, além de intoxicação. Remédios, venenos e objetos pequenos devem ser mantidos em armários altos. Só na última semana, duas crianças de 1 e 3 anos engoliram pregos em Franca. “A criança não tem condições de discernir o que é perigoso”, disse Marcelo.
A cozinha é o local que oferece mais riscos. É comum o atendimento a pacientes com queimaduras provocadas em casa. “Essa é uma situação relativamente frequente porque muitas mães assumem a responsabilidade de cuidar ao mesmo tempo da criança e da casa”.
Em julho último, um garoto de 1 ano sofreu queimaduras com óleo quente no rosto e tórax. A mãe fritava salgados quando a criança se dirigiu até o fogão e puxou a tampa do forno que, ao bater, virou a panela sobre ele.
Outra medida simples pode impedir tragédias. Baldes com água devem ser mantidos fora do chão. “A criança pode se afogar porque não tem reflexos para se levantar sozinha”, disse o Sargento Teixeira, do Corpo de Bombeiros. Tomadas devem ter protetores para prevenir choques e a passagem deve ser mantida livre, sem tapetes e móveis com quinas.
Acidentes também acontecem fora das residências. Como as férias coincidem com o calor, é comum a procura de lazer em represas, cachoeiras e outros locais impróprios para banho, o que pode provocar mortes por afogamento. As crianças ainda deixam suas casas para soltar pipas na rua. “Há risco da pipa enroscar no fio de alta tensão e provocar descarga elétrica, além do perigo do uso de cerol”, disse o Sargento Teixeira.
As ocorrências registradas na região servem de alerta. Entre janeiro de 2008 e novembro deste ano, o Comércio noticiou mortes de 11 crianças por queimadura, afogamentos e acidentes domésticos.
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