A sapateira JCA, 39, viveu momentos de agonia na manhã da última terça-feira ao ver a filha de apenas três anos engolir um prego de aproximadamente quatro centímetros. Desesperada, ela levou a menina imediatamente para o Pronto-socorro “Dr. Janjão”. JCA esperava que os médicos retirassem o objeto do estômago da garota ou que ela fosse encaminhada para a Santa Casa, onde seria acompanhada por um especialista. Mas, nada disso aconteceu.
Foram necessárias quase 36 horas de espera antes que o encaminhamento finalmente acontecesse na noite de quarta-feira. Durante esse período, a menina passou por três exames de raio-x e as duas foram três vezes ao pronto-socorro, uma à clínica de radiologia e uma ao posto de saúde do Parque do Horto, próximo do Jardim Cambuí, bairro onde moram.
O caso acabou se resolvendo naturalmente. Por volta das 13h30 da tarde de ontem, a criança expeliu o prego junto com as fezes e teve alta do hospital. Apesar de aliviada com a solução do problema, a mãe da menina se declarou revoltada com o atendimento recebido no “Janjão” e registrou um Boletim de Ocorrência no Plantão Policial. “Eu achei uma negligência muito grande, uma vergonha. Eu sou de família humilde, mas exijo respeito. Não podem ficar jogando a gente pra lá e pra cá”, desabafou.
O secretário municipal de Saúde, Alexandre Ferreira, acredita que a decisão do médico foi correta. “O procedimento de observação é adequado para aguardar, tanto é que horas depois a criança expeliu o prego sem intervenção nenhuma”.
<b>O ACIDENTE</b>
Eram 9h30 da última terça-feira e a sapateira costurava sapatos na sala da casa onde mora com os três filhos - duas meninas e um menino - no Jardim Cambuí. No quarto, as crianças mais velhas trabalhavam na colocação de pequenos quadros na parede enquanto a menor apenas assistia.
De repente, uma delas começou a gritar dizendo que a menina de apenas três anos estava engasgada. “Fui lá e ela estava toda molinha. Eu tentei tirar o prego, mas não consegui porque já estava na gargantinha dela. Até coloquei o dedo, mas se puxasse ia rasgar a garganta dela. Então, eu o empurrei para baixo e corri com ela para o Janjão”, disse a mãe da criança.
Às 10 horas, elas foram atendidas no pronto-socorro e a garota fez um exame de raio-x. “O médico disse que já estava na boca do estômago e pediu para eu ficar com ela deitada ali”, disse JCA.
Às 15h10, o médico teria liberado as duas para irem para casa e voltarem às 20 horas. “Eu voltei com ela no horário marcado e fizemos uma nova radiografia. O preguinho já estava próximo ao intestino”, disse a mãe. Ainda assim, o médico decidiu mandá-la para casa e não para a Santa Casa. “Ele me deu um encaminhamento para ir no posto de saúde do Parque do Horto no dia seguinte. A médica de lá, disse assim: ‘Você vai voltar para a clínica radiológica, fazer o exame de novo e levar para o Janjão. Diz que não vou atender mais ela aqui no posto de saúde, porque o caso dela é urgente, pode machucar ela por dentro’”.
Ainda segundo JCA, nesse meio tempo a menina reclamava de dor na barriga, sentia ânsias de vômito, não comia nada. “Ela não tomou nenhum remédio, mal bebia água e eu não sabia o que fazer. Deram apenas cereal para a menina”, disse a sapateira.
Às 17 horas de quarta-feira, JCA voltou ao pronto-socorro com as radiografias nas mãos. Uma outra médica atendeu a criança e em seguida a encaminhou à Santa Casa. “Não entendo porque o médico não mandou ela para o hospital antes. Ele viu que o prego estava descendo e que podia perfurar o intestino dela. Eu fiz a minha parte, socorri ela rapidinho. Foi horrível...”.
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