O país está estarrecido com as imagens obtidas através de filmagens, certamente autorizadas pela Justiça, desnudando um esquema de pagamento de propinas envolvendo agentes políticos do Distrito Federal. Trata-se de outro esquema de pagamento em troca de apoio político do Legislativo, fato bastante semelhante ao do mensalão que abalou o Governo Lula há mais ou menos 3 anos e acabou por colocar no ostracismo político o até então todo poderoso José Dirceu.
A denúncia de agora, em fase de apuração, atinge em cheio o governador do Distrito Federal pelo DEM, José Roberto Arruda, e seu vice Paulo Octávio. O governador é o mesmo que, quando senador pelo Distrito Federal, renunciou ao mandato para escapar de processo de cassação por falta de decoro parlamentar.
Além das imagens mostrando o pagamento de gratificações em espécie para políticos do Distrito Federal, também foram divulgadas imagens de empreiteiros negociando com representantes do governo daquele distrito, a diminuição do percentual de propina que, segundo ponderação do empreiteiro, estaria fora do patamar de razoabilidade.
O fato, embora gravíssimo, parece ser corriqueiro. Recentemente o Supremo Tribunal Federal recebeu denúncia oferecida pelo Ministério Público contra o hoje senador e então governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo, pela prática – em tese – de atos que a imprensa nacional denominou de `mensalão mineiro`.
As imagens do escândalo de Brasília são fortes. Políticos, inclusive o próprio governador do Distrito Federal recebem pacotes de dinheiro, acondicionados em pastas, na meia ou mesmo nas calças, numa verdadeira `farra do boi`. O governador se defende alegando que o dinheiro se destinava a compra de panetones para famílias carentes.
O Presidente Lula, ao ser ouvido sobre o episódio, afirmou categoricamente que as imagens não dizem nada, pois, o que vai valer, segundo Lula, é a conclusão do inquérito pela Polícia Federal. Penso, respeitosamente, que a imagem é bastante clara. Aprendi, ainda na infância na minha querida Cássia, que `uma imagem vale mais que mil palavras`.
Para o homem comum que trabalha e paga seus impostos pontualmente, o fato não pode ser esquecido e muito menos ficar impune, como tantos outros ficaram. É bom lembrar que o Brasil ostenta uma das maiores cargas tributárias do mundo. O chamado `custo Brasil` é, reconhecidamente, alto.
O episódio de Brasília só tem uma diferença em relação aos outros ocorridos e do mesmo jaez: os anteriores terminaram em pizza e esse,parece que pode acabar em panetone.
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca
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