O leitor deve estar se perguntando se o artigo de hoje versará sobre artes marciais, lutas sangrentas em ringues e demais cenários que configuram o gênero `panem et circenses`. Em verdade não é nada disso. A reflexão de hoje tem o escopo metodológico hipotético-dedutivo de analisar o atual cenário político de Brasília (para variar), acerca das imagens veiculadas por emissoras de televisão que quais chocaram toda a sociedade brasileira pelo absoluto desrespeito do cidadão que, legitimamente eleito pelo povo, tem como único e derradeiro propósito, assaltar os cofres públicos.
Tudo isso é deveras impactante e corrobora a característica de venalidade do indivíduo que adentra os portais do poder nesse País, o qual se resguarda no seio de uma instituição constitucionalmente garantida, a eleição através do sufrágio universal, para cometer toda espécie de crime imaginável ou não contra seus eleitores.
Mas sem se deter em maiores detalhes acerca da impudência do político pátrio, é bom relevar alguns pontos que muitas vezes passam despercebidos. A Polícia Federal, responsável por essa investigação e por centenas de outras operações anteriormente deflagradas como `Sathiagraha`, `Dríade`, `Vassoura de Bruxa` etc, e a atual operação "Caixa de Pandora` para apurar o escândalo do `mensalão do DEM`, no Distrito Federal, é comandada pelo chefe do Poder Executivo Federal.
O que mais chama a atenção é a logística dessas operações, deflagradas e publicadas nas ocasiões mais oportunas, ou seja, meses antes das eleições de 2010. A classe política brasileira tem de estar irremediavelmente desmoralizada. Funciona assim: tudo o que é contra o Governo Central (mensalão, mortes suspeitas e toda sorte de corrupção) vai para o arquivo; o que é contra os `opositores`, vai para a imprensa.
Isso pode consistir na meta de, como noticiou o jornal O Globo, edição de domingo passado, na proposta urgente de reforma política com uma nova constituinte, ou mesmo em amordaçar a imprensa como andam fazendo na Venezuela, Argentina, Bolívia, por exemplo. Atente para a realização da Confecom (Conferência Nacional de Comunicação) que se realizará em Brasília, entre 14 e 17 de dezembro.
Nota-se uma certa dificuldade dos indivíduos que estão no poder em conviver com a democracia. Nas entrelinhas de suas ações está escrito que a `luta de classes` marxista ainda é o corolário de suas decisões. Isso é muito claro. Só quem não se dessedenta nas fontes da História do Brasil, no último século, não consegue realizar esse tipo de leitura.
A esmagadora maioria da população do Brasil não conhece nem o próprio País, porém, a turma do MST esteve em Paris em setembro último, montando barracas iguais às que montam nas fazendas que invadem e saqueiam, bem em frente ao Museu do Louvre, com todas as despesas pagas pelo desatento/contribuinte.
Outro exemplo nem tão fora de contexto são as decisões do Governo Federal no tratamento do instituto da reparação de danos às vítimas do regime militar. As famílias de militantes que estiveram na luta armada recebem um tratamento diferente daquele que recebem os civis e mesmo os militares que foram vítimas do terrorismo daquela época. Será que a luta continua? Democracia pressupõe tratamento igual, não tratamento político.
Nadir Ap. Cabral Bernardino
Advogada formada pela FDF, pós-graduada em Política e Estratégia e Direito Ambiental
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