Vai encarar?


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<b>BOAS DE BRIGA</b> - A jovem Ellen Bento, 23, mostra toda sua habilidade em movimento da capoeira...
<b>BOAS DE BRIGA</b> - A jovem Ellen Bento, 23, mostra toda sua habilidade em movimento da capoeira...
Sexo frágil? De jeito nenhum. Elas praticam pelo menos quatro horas por semana de capoeira, caratê, muay thai, jiu-jitsu, MMA (vale tudo) ou boxe. A modalidade não importa, elas estão nos ringues batendo de frente com muito marmanjo e querem respeito. Em comum, corpos definidos e flexíveis, perda rápida de peso e tensões do dia-a-dia aliviadas com golpes certeiros. Vai encarar? Quem olha o piercing no nariz, o lápis no olho e as unhas bem cuidadas de Naiara Oliveira, 22, à primeira vista não acredita que ela está se preparando para um campeonato de vale tudo em 2010. Adepta de lutas marciais há um ano, Naiara treinava jiu-jitsu e boxe até resolver que iria pegar ainda mais pesado. Faria vale tudo. Com o apoio do namorado Jackão, campeão mundial em várias modalidades de luta, ela inicia os treinos às 6 horas da manhã em três dias por semana. Ao longo dos últimos doze meses a atleta viu o corpo e o respeito das pessoas mudar. "Hoje tenho condicionamento físico e os músculos enrijecidos pela atividade física", disse. As academias têm registrado um aumento na procura de mulheres pelas lutas. Pelo menos 15% dos alunos matriculados nas aulas de lutas são do sexo dito frágil. Na maioria das vezes elas estão em busca de autoconfiança e emagrecimento rápido. Caso você torça o nariz achando que isso não é coisa de mulher "de verdade", cuidado. Você pode se surpreender. Nas aulas de boxe que o professor Valter Fernando Pereira de Sousa - o Jamanta - dá na garagem de sua casa, no Jardim Progresso, dos 26 alunos da modalidade apenas seis são homens. Antes dos exercícios começarem, o pequeno grupo dos garotos fica tímido no canto da sala. Ali, quem domina são as mulheres. No meio delas, estão as irmãs Lila, 19, praticante de boxe há mais de um e Ana Tereza Rocha, 26, iniciante com duas semanas de curso. As duas - de batom nos lábios, rímel nos olhos, brincos, muita vaidade e feminilidade - enfrentam o preconceito dentro da própria casa para praticar o boxe. "Meu pai tem vergonha de falar que nós duas lutamos", brinca uma das irmãs. Mas elas não se importam. Lila a mais velha no boxe deixou cinco quilos no ringue e conquistou como medalha um abdome definido. "É o meu troféu", brinca. [FOTO2] Ellen Corrêa Bento, 23, pratica capoeira, que mescla dança com golpes de luta, há sete anos. A seu favor a elasticidade do corpo combinada com a desenvoltura com a qual ela canta e toca o berimbau, instrumento musical mais conhecido da modalidade. Ellen começou a praticar o esporte por curiosidade, mas se apaixonou e não parou mais. Há algumas semanas, ficou com o segundo lugar em um campeonato na região. A capoeirista é a única mulher do Grupo Nosso Senhor do Bonfim, mas isso não a intimida, muito pelo contrário, pois tem o respeito e a admiração de todos. E se você pensa que lutar é apenas para as garotinhas, prepare-se para mais uma surpresa: há entre os alunos mães, filhas e até uma avó boxeadora de 53 anos ...

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