Unhas roídas e muita barra de cereal para este sábado e domingo, quando finalmente acontecem as provas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). A avaliação de âmbito nacional tinha sido adiada após o vazamento de parte de seu conteúdo. Em todo o país, são 4,2 milhões de estudantes das redes pública e particular passando pela avaliação.
O teste, além de mostrar o nível de aproveitamento das disciplinas no estágio final da vida escolar pré-universitária, é um passo importante para que o jovem ingresse no Ensino Superior. As provas são obrigatórias para quem tenta uma bolsa pelo Programa Universidade para Todos e devem ser adotadas pelas universidades brasileiras como fase única, embutidas em parte de seu processo seletivo ou como primeira fase. A relação completa das universidades que já adotaram o exame pode ser encontrada na internet no portal.mec.gov.br. Mas, os principais vestibulares - Unesp, Fuvest e Unicamp - não estão na lista.
Em Franca, são 10.360 estudantes que estão ansiosos para mandar bem nas provas, segundo Miriam Aparecida Espagnolo, representante da Cesgranrio, uma das instituições que elaboraram o Enem.
As provas acontecerão a partir das 13 horas em quatro escolas - Unifran, Unifacef, Faculdade de Direito de Franca e Escola Municipal Antonio Siccheroli. As provas terão duração máxima de quatro horas e meia no sábado e cinco horas e meia no domingo. Alunos só poderão sair da sala após duas horas.
Muitas vezes motivadas por atrasos e descuidos de última hora, as ausências, de acordo com Miriam, podem chegar a 25% este ano. Por isso, ela adverte: "Às 13 horas fecham-se os portões em todos os locais de prova e ninguém entra. O aluno também não pode esquecer o documento de identidade". Recomenda-se chegar logo depois do meio-dia, quando as escolas serão abertas. Linhas de ônibus adicionais até o Parque Universitário serão disponibilizadas.
<b>NA PREPARAÇÃO</b>
Muita gente está na correria. No Instituto Samaritano de Ensino, por exemplo, são 82 alunos - 67 do terceiro ano e 15 do segundo ano que vão participar com o intuito de treinar para o ano que vem. Pelo menos dez horas de estudo por dia é o tempo utilizado pelos estudantes entrevistados pela reportagem. Prestes a concluir o terceiro ano, a jovem Alba Bruna Cintra De Grandi, 17, está a mil por hora para tentar a sorte em um curso superior de Engenharia Civil.
Já prestou Unesp, Fuvest e Unicamp e ainda vai enfrentar os processos seletivos da Universidade Federal de Viçosa e da Universidade Federal de São Carlos.
Para ela, o Enem vai ajudar a confirmar o rendimento do andamento nos estudos. Além das aulas no Instituto Samaritano, ela passa pelo menos quatro horas por dia lendo e resolvendo exercícios em casa. "A gente deve fazer a prova com vontade para ter base para outros vestibulares", diz. No mesmo ritmo, o colega de sala Danilo Araújo, 17, acredita que as provas deste fim de semana serão tranquilas. Além das aulas regulares, ele faz cursinho pré-vestibular à tarde e almeja uma vaga em um bom curso de Engenharia Elétrica. "O Enem compõe 50% da nota da Ufscar. É bem interessante", comenta.
<b>Como ficou...</b>
As provas do Enem tinham sido marcadas para 3 e 4 de outubro deste ano, mas foram canceladas após o vazamento de parte de seu conteúdo. Com o furto de dois cadernos de questões, o Ministério da Educação teve um prejuízo de R$ 36 milhões pois precisou fazer uma nova impressão da primeira prova. Com o episódio, o Governo cancelou contrato com o Connasel (Consórcio Nacional de Avaliação e Seleção) e contratou Cespe (Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília) e Cesgranrio. Os gastos com o Enem deste ano já ultrapassaram até agora os R$ 130 milhões.
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