Batalhão de descamisados


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Além de ser a época do ano reservada à troca de presentes, formulação de votos de boas festas e confraternizar pessoas, o tempo que antecede o Natal revela também fatos capazes de consternar até mesmo quem tenha coração de pedra. Meio-dia de um sábado em Franca, temperatura asfixiante, sol abrasador. O planeta está se aquecendo e a níveis mais rápidos do que os esperados pelos cientistas. Numa calçada uma mulher magérrima se aperta com seus três filhos. Grávida, ela espera um novo nascimento enquanto mendiga e tenta apaziguar a fome das três crianças adormecidas ao som da sinfonia estomacal, nuas, subnutridas, sujas, com olhos grandes nos rostos magros que parecem nos acusar por terem nascido. Do outro lado uma igreja, fechada após o serviço matinal, não oferece sequer sombra para proteger a família de infelizes que vaga pelas ruas. É essa mesma igreja, entretanto, que advoga o nascimento desses novos excluídos que se reproduzem numa velocidade estonteante, mais rápido do que qualquer programa social para socorrê-los e mais velozez que a comunidade a passar indiferente por esse quadro já demais visto. Na minha ingenuidade religiosa e mesmo na minha boa-fé, não consigo atinar como a vida tormentosa dessas crianças e sua mãe agrada a Deus; como pode tanto horror deliciar um ser que é perfeição. Não aceito nem admito que a Igreja Católica - ou qualquer outra - ponha-se em campo para defender o direito ao que eles chamam de vida, mas que na verdade é um tormento sem-fim por que passa a classe mais miserável deste País. Nascem sem assistência médica, vivem sem escolas, crescem sem futuro e morrem sem deixar saudade. No máximo são estatísticas manipuladas por algum tecnocrata com sua fabulosa visão de mundo. Não entendo que caridade existe em deixar nascer mais excluídos, mais oprimidos, mais párias de uma sociedade que já não suporta o excedente que ela carrega, que vive às voltas com a criminalidade, a superpopulação, os problemas habitacionais e de saúde, todos com seu nascedouro nesse número infinito de pessoas que sobrecarregam o Estado, único socorro e mentor desse batalhão de descamisados a implorar a caridade alheia. Não prego o genocídio dos pobres nem a intolerância aos filhos. O que advogo é simplesmente que exista uma política de planejamento familiar feita com seriedade e que contemple os mais carentes com meios e técnicas com que possam fazer frente aos riscos de uma família numerosa. Não existe pecado em planejar nem existe erro em disciplinar o número de nascimento. As sociedades, mesmo as mais primitivas como as indígenas, usam esse expediente. Para mim, pecado é o da omissão diante desse quadro, e mais do que a omissão, o selo para que esse estado de coisas continue, tudo isso feito em nome de uma religião cujo amor é - ou deveria ser - o princípio básico. AVAREZA MATA Espanta-me ver pessoas de razoável a boa condição financeira resmungando diante daquelas caixinhas de Natal que funcionários de lanchonetes, bares, restaurantes, cantinas e outros pequenos comércios colocam sobre o balcão com o propósito de comprarem um mimo de fim de ano. Deus do Céu! O que custa dar um pouco a quem nos atendeu com presteza o ano inteiro? CIRCULA NA INTERNET Frase do apresentador e empresário Silvio Santos: ‘Minha audiência está baixando porque quem me assiste está morrendo’. MENSALINHO Quando a gente esperava que o espírito do Natal trouxesse ventos amenos, estoura em Brasília um escândalo semelhante ao Mensalão. Dirigido pelo governador José Roberto Arruda o esquema também visava aliciar votos dos parlamentares e, de quebra, enriquecimento ilícito de outras autoridades. Escândalo na corte. IMPORTADOS Não dá para entender. Mesmo com a baixa cotação do dólar, as bebidas importadas subiram de preço com a chegada do final de ano. Nosso comércio tem razões que a própria razão desconhece. TRANSTORNO Faltando 21 dias para a véspera do Natal o comércio do centro de Franca começa a lucrar. O bom movimento já é visível, principalmente nas lojas de confecções, calçados e eletrodomésticos. Mas, se em dias comuns transitar de carro no centro já é um transtorno para a população, com o aquecimento das vendas a tendência é piorar. Quem sai de casa de carro faz um teste de paciência, pois falta estacionamento. NEGATIVO Morro de pena da Francana. Todo ano eles repetem a mesma penitência: contratam novos/velhos jogadores, mudam o técnico e caminham para derrotas magistrais. É de dar dó. POSITIVO Quase sempre de preço acessível a todos, a batata-doce contém potássio, proteína, fibra, vitamina C, vitamina B6 e betacaroteno. A despretenciosa batata-doce foi classificada em sexto lugar entre 53 hortaliças estudadas pelo Centro de Ciência de Interesse Público. É bastante provável que ela ajude até a prevenir o câncer e as cardiopatias. Edward de Souza Jornalista e radialista - edward@comerciodafranca.com.br

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