A Tieta voltou. Graças a uma decisão da Justiça de Franca, que concedeu uma guarda provisória, a doméstica Lúcia de Fátima Claudino, 51, conseguiu levar para casa novamente sua papagaia de estimação. O esperado reencontro se deu sábado, um mês após a ave ter sido apreendida pela Polícia Ambiental. Tieta convivia com a mulher há 28 anos e passou os últimos dias trancada dentro de uma gaiola em um sítio na região de Jaboticabal.
No dia 29 de outubro, após receberem uma denúncia anônima, os policiais estiveram na casa da doméstica, no Jardim Luiza, e levaram Tieta embora. Lúcia ainda tentou sensibilizá-los, dizendo que tinha a papagaia há quase três décadas e que cuidava bem dela. Não adiantou. Indignada com a ação da polícia, Lúcia fez um desabafo emocionado nas páginas do Comércio e afirmou que entraria na Justiça. “O meu medo era que a Tieta morresse”.
Na semana passada, o Jecrim (Juizado Especial Criminal) concedeu a guarda provisória da papagaia. “A decisão foi concedida tendo em vista que a papagaia já é um animal domesticado e que não consegue mais viver no meio ambiente natural dele. O laudo feito pelo veterinário constatou que ela estava em perfeito estado de saúde. “Sempre foi muito bem tratada”, disse o advogado Luiz Roberto Garcia.
Após ter implorado pelo bom senso da polícia, de ter feito novena e de até ter acendido velas para a finada mulher que lhe deu a papagaia há quase 30 anos, Lúcia descobriu que Tieta estava em uma fazenda que, supostamente, presta auxílio ao Ibama no município de Jabotical. Na manhã de sábado, juntou as economias e seguiu para lá com o marido para, finalmente, reencontrar o animal de estimação. “Era tudo o que eu esperava. Não via a hora. Estava até sonhando com este papagaio. Quando fiquei sabendo que ganhei a guarda provisória, até chorei. Saí pulando e rezando. Quando cheguei lá, ela começou a me chamar e gritar. Foi um fim de semana de muita alegria”.
Célia e o marido ficaram surpresos ao encontrar a papagaia trancada dentro de uma gaiola e comendo apenas milho em uma casa na zona rural daquele município. O homem que fez a devolução, não sem antes reclamar, se apresentou como veterinário. “Ele achou ruim e disse que teve despesa com o papagaio. Queria saber quem iria pagá-lo. O papagaio nem deveria ter saído de Franca, pois estava sob disputa judicial. O mais importante é que o animal voltou para casa e está bem, graças a Deus”.
Tieta já está ambientada no antigo lar. Durante a entrevista, não parou de falar, pediu café e brincou com o gravador. Fez pose para o fotógrafo e deu uma “bicota” no rosto da dona. Talvez, deslumbrada pela fama, não quis cantar.
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