O padeiro Flávio Cardoso da Silva, 29, completa hoje 47 dias preso na cadeia do Jardim Guanabara. Silva cumpre seis meses de detenção após ser acusado de capturar uma cobra sucuri em uma rodovia entre os Estados de Mato Grosso e Goiás. O padeiro, no entanto, alegou ter encontrado o animal morto às margens da estrada e apenas o trazia para casa. Ele mora em Ituverava. Flávio foi preso por determinação da Justiça da cidade de Itumbiara, em Goiás. A detenção teria sido determinada após descumprir um acordo - pagamento de multa - em uma audiência preliminar.
Morador de Ituverava, o padeiro Flávio Cardoso jamais poderia imaginar que sua viagem ao Mato Grosso em abril do ano passado poderia lhe dar tanta "dor de cabeça". O rapaz voltava para casa dirigindo uma caminhonete quando, segundo contou ao delegado Eduardo Lopes Bonfim, diretor da cadeia do Guanabara, teria visto uma cobra sucuri, sem vida, na rodovia. "Ele disse que encontrou a cobra morta na estrada. Parou o veículo e a colocou na carroceria com a intenção de trazer para casa. Não imaginou que estaria cometendo um grave crime ambiental", disse Bonfim.
Segundo relato do detento ao delegado e carcereiros da unidade francana, ele já estava perto da divisa do Estado de São Paulo, quando foi parado pela polícia. O padeiro foi abordado em uma operação da Polícia Ambiental no município de Itumbiara (GO). Os policiais revistaram o veículo e encontraram o animal morto. Flávio foi detido e levado para a delegacia da cidade, onde um termo circunstanciado acabou elaborado. Sua versão não o inocentou. A polícia considerou que ele atropelou, matou e então transportou o animal. Acabou indiciado por crime ambiental, mas por ter bons antecedentes, trabalho e residência fixos, foi liberado.
Pouco mais de um ano e quatro meses depois do ocorrido - 1/9/2009 -, a Justiça da Comarca de Itumbiara (GO) converteu a “pena restritiva de direito” em “res-tritiva de liberdade”, ou seja, ele teria de cumprir seis meses de detenção em regime fechado. O delegado Eduardo Bonfim não soube explicar com exatidão o que ocorreu durante o processo que resultou à prisão do réu. Segundo a autoridade policial, familiares do rapaz informaram que ele teria deixado de pagar multa de um salário mínimo estipulada pelo juiz José Paganucci, que cuidou do caso. "Como estava desempregado não teve como pagar. Passado algum tempo foi expedido mandado de prisão contra ele. A Justiça da Comarca de Itumbiara o condenou a seis meses de detenção. O mandado foi cumprido pelos policiais de Ituverava. Cabe a nós acatar a decisão", disse Bonfim.
Flávio Cardoso entrou na cadeia do Guanabara no dia 14 de outubro passado, dia do seu aniversário. Desde então está em uma cela comum sem nenhum tipo de regalia. A mãe do detento, uma dona de casa, vive a rotina das demais mães que têm seus filhos presos no Guanabara. Na última quinta-feira, ela levou o chamado "jumbo" - sacola com alimentos e produtos de higiene pessoal para o filho. No dia seguinte, voltou para visitá-lo.
A reportagem do Comércio esteve na cadeia na sexta-feira, dia 27/11, durante a visita aos presos e tentou falar com a dona de casa sobre a situação do padeiro. Ela preferiu não dar entrevistas alegando que poderia prejudicar o processo de soltura do filho. A mulher também mora em Ituverava e disse que seu filho nunca esteve preso. Ela revelou ter contratado um advogado para providenciar a liberdade do rapaz.
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