Eliana Modesto, 33, mora em uma casa simples no Jardim Luiza I. A cozinha é ampla porque tem apenas fogão, geladeira e uma mesa com três cadeiras. A sala é improvisada em um dos quartos que conta com um sofá velho, uma cama e uma rack com um televisor. O outro quarto tem quatro camas. São nesses cômodos que seis crianças, Eliana e o marido, de 32 anos, se acomodam todas as noites. Apesar de apertado, dormir não é o maior problema enfrentado pela família. A fome é que tem atormentado suas vidas. “Peço para as crianças não faltarem da escola porque, às vezes, é o único jeito delas comerem no dia”, disse a mãe.
As oito pessoas sobrevivem com apenas R$ 100 do programa “Bolsa Escola”, do governo federal. O marido de Eliana está desempregado há dois anos. Ela contou que ele tem feito bicos, catando papelão, mas o muito que consegue é R$ 3 por dia. Para tentar melhorar a situação, eles plantaram uma horta com pés de alface e torcem para que as folhas cresçam logo, para comer e vender.
Com as seis crianças, Eliana não consegue trabalho. Seu filho maior, de 12 anos, precisa de cuidados especiais porque sofre de síndrome de down. Por falta de alimentação adequada, o garoto está pesando apenas 22 quilos - o peso normal de uma criança da sua idade é acima de 45 quilos. Para não ver os filhos passarem fome, a mulher tem apelado para os vizinhos e familiares. Tem conseguido ao menos o básico que é arroz, feijão e macarrão. De vez em quando, alguém oferece um litro de leite que ela aproveita para alimentar o bebê de seis meses. “Ele mama no peito, mas às vezes chora de fome porque só o leite não sustenta”.
Na quinta-feira passada, Eliana cozinhava feijão em um fogão de lenha improvisado atrás da casa porque o gás havia acabado. Já eram 16 horas, mas o alimento estava em cozimento desde às 11 da manhã. Na cozinha, em cima da mesa, meio pacote de açúcar, um de fubá, um de macarrão e um pouco de arroz era tudo que a família tinha para passar o final de semana. Na geladeira, um pouco de arroz cozido, um litro de água e uma mamadeira.
O filho de seis anos de Eliana dormia na sala. Logo chegou Tiago, de 10 anos, e revelou um sonho: o de comer bolacha e danone. Eliana também tem pedidos simples: uma caixa de leite, Mucilon, comida e gás. “Dói ver as crianças pedindo e não poder comprar”. Quem quiser ajudar a família pode visitá-la na Rua Isméria Andrade Taveira, 1970, Jardim Luiza l.
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