Psiquiatra pede demissão e pacientes ficam sem atendimento


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A falta de psiquiatras na rede municipal de Saúde está provocando transtornos e irritação nos pacientes que dependem do serviço público. Ontem 16 pessoas que estavam com consultas marcadas no Ambulatório de Saúde Mental ficaram sem atendimento. Um dos quatro médicos do local pediu demissão no mês passado e não teve a vaga preenchida. Na quarta-feira, foi seu último dia do aviso prévio. O contratempo trouxe à tona uma grave situação que ocorre no País e que não é diferente em Franca: há doentes demais e profissionais de menos. A dona-de-casa Tânia Andrade, 44, moradora do Bairro Santa Luiza, foi uma das que se dirigiram ao ambulatório e que foram embora sem passar pelo médico. “Eu tinha consulta marcada para hoje (ontem) às 7 horas, mas cheguei e estava fechado. A moça disse que não tinha médico. Algumas pessoas precisavam de remédio e não tinha quem fazer a receita. Ninguém nos deu explicações. Só havia as atendentes”. Também com retorno marcado para ontem, Regina Célia Domiciano, 42, moradora do Horto, reclamou que está passando mal e que precisava passar pelo médico. “Não estou dormindo direito, pois o remédio não está dando certo. Falaram que vão passar outra receita, mas não sei quando. Eu preciso trocar o remédio e ser atendida pelo psiquiatra”. A paciente Maria Aparecida Ferreira saiu do Portinari para a consulta que seria realizada no ambulatório, que funciona em anexo ao pronto-socorro. Perdeu a viagem. “O médico não apareceu e ninguém nos avisou com antecedência. Tomamos remédio controlado e não podemos ficar sem o medicamento. Marcaram a minha consulta para fevereiro e eu não tenho receita”. A coordenadora de Saúde Mental do Município, Sirlene Barretto, disse que o transtorno foi provocado pelo pedido de demissão, em outubro, de um dos psiquiatras. Os profissionais aprovados no concurso público ainda não puderam assumir. Ela afirmou que, para evitar prejuízo aos pacientes com consulta marcada, todos vão ser encaminhados a outros profissionais. Cerca de 17 mil pessoas com distúrbios considerados graves estão cadastradas no ambulatório. Todos os meses, uma média de 1,5 mil pacientes é atendida no local. A Prefeitura conta agora apenas com três psiquiatras. “Esta é uma carência que ocorre em todo o País”, disse Barreto.

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