A era dos `pontos corridos`


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Confesso que estive entre aqueles que desaprovaram a adoção do Campeonato Brasileiro por pontos corridos com turno e returno, pela CBF. Em 2003, quando da implantação do sistema, fiz severas críticas ao modo da disputa. Afirmei que a fórmula privilegia a justiça mas fere de morte a emoção que uma disputa final proporciona aos torcedores. Os argumentos dos descontentes são, portanto, conhecidos: não tem jogo final; a fórmula permite que um time melhor preparado ganhe à dianteira retirando a emoção e o interesse nas rodadas finais deixando estádios vazios e times mais endividados. Enfim, os contrários à fórmula importada do futebol europeu sempre apresentam argumentos novos para desqualificar o modo da disputa. Na primeira edição da era dos pontos corridos, o Cruzeiro sagrou-se campeão com bastante antecedência. O fato se repetiu no ano seguinte com o Santos, de Wanderley Luxemburgo, certamente o primeiro técnico a entender a nova fórmula de disputa e a preparar sua equipe adequadamente. O campeonato de 2005, ganho pelo Corinthians, ficou marcado por escândalo do apito. O árbitro Edilson Pereira de Carvalho confessou que vendia resultados dos jogos que apitava para apostadores inescrupulosos, fato que levou à anulação de várias partidas. Nos anos de 2006, 2007 e 2008, tivemos o tricampeonato do São Paulo. O time do Morumbi, treinado por Muricy Ramalho, outro técnico especialista em disputas por pontos corridos, obteve sucesso por três anos com relativa facilidade. Neste ano, o campeonato tem feito vários contrários aos pontos corridos repensarem suas opiniões. Eu me encontro dentre esses. No último final de semana foi disputada a 36ª rodada, faltando apenas duas para o encerramento do campeonato. A disputa, tanto no chamado G-4 (a "parte" de cima da tabela) quanto na zona de rebaixamento, encontra-se literalmente em aberto. Resultados surpreendentes como a vitória do Botafogo sobre o ainda líder São Paulo e o empate do Flamengo com o Goiás, embolaram a disputa e criaram a possibilidade concreta de quatro times chegarem à última rodada com chances reais de serem campeões. Na zona de rebaixamento o Fluminense engatou uma quinta marcha nas últimas onze rodadas e agora só depende dele para evitar o retorno à segunda divisão. Estádios lotados, recordes de público, grandes estrelas sendo repatriadas e, fundamentalmente, um nivelamento técnico em patamar bastante satisfatório. Assim, parece-me que a fórmula da disputa se consolida e cai no gosto do torcedor brasileiro prometendo ser ainda mais interessante nos próximos anos. Mais uma vez podemos afirmar que `o tempo é o senhor da razão`. Setímio Salerno Miguel Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca

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