Os piores presságios sobre o segundo mandato de Sidnei Rocha rapidamente vão se confirmando. Eleito na esteira de um momento único (crescimento econômico acelerado do País sob o governo Lula, aumento de receitas, dinheiro da Sabesp, controle político sobre o Legislativo e recapeamento como desejo de consumo das classes médias motorizadas), seu governo não tem um projeto para a cidade.
A incompetência administrativa do atual governo vai se escancarando a cada dia nas notícias deste Comércio. Uma delas, a suspensão do mutirão do Jardim Santa Bárbara, um escândalo que atinge os mais pobres. Após quase 3 absurdos anos de obras, as casas estão pela metade. Faltou tecnologia e competência ao atual governo. O plano habitacional do município e a Prohab foram abandonados, não há novos investimentos em habitação social.
O Plano Diretor também foi deixado de lado. O prefeito elaborou projeto de lei para regularizar loteamentos que estão sendo objeto de ações judiciais desde os anos 1990, pois foram implantados sem aprovação da prefeitura e sem infraestrutura adequada, alguns na área de mananciais do Canoas. Se uma simples lei pode regularizar isso, porque não o fez 5 anos atrás?
Pior ainda é a decisão de gastar dinheiro público numa análise estrutural do `esqueleto` perto do Poli. Trata-se de propriedade privada que o prefeito pretende depois, – talvez –, desapropriar, sem nem saber o que vai colocar ali. Se aplicasse o Plano Diretor, fazendo a propriedade privada não edificada ou abandonada cumprir sua função social, essa obra (e muitas outras) já teria destinação adequada há muito tempo. Basta circular por algumas ruas, como a Voluntários da Franca, para ver a quantidade de edificações abandonadas, fechadas e em estado de ruína. Se a prefeitura quisesse mesmo alterar o atual quadro e não apenas marketing, faria um planejamento democrático e implementaria os planos de gestão integrada previstos pelo Plano Diretor.
A situação criada com a Feac é ainda mais desastrosa. Ao extinguir a Fundação Mário de Andrade e misturar cultura com esporte, conseguiu piorar as duas coisas. Quando o esporte sai das páginas especializadas para as policiais é porque o modelo adotado não deu certo ao privilegiar o esporte profissional e não o esporte de base e o lazer. Funciona apenas para participar de competições com times importados. Ou seja, marketing.
A cultura, sem quadros qualificados, espaço e recursos, opera no vácuo do esporte. O teatro está em péssimo estado de conservação, o museu não tem investimento novo e o resto nem se fala. Serve apenas para pagar salários amigos. O cenário é ruim. O prefeito pode reverter esse quadro se mudar sua postura centralizadora e democratizar sua gestão. A propósito, se há dinheiro sobrando para avaliar obra particular, que tal desapropriar a AEC e instalar ali uma verdadeira Casa da Cultura?
Mauro Ferreira
Doutor em Arquitetura pela EESC-USP e docente da FESP-UEMG
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