Agora, o `Bolsa Celular`


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Depois de conceder uma série de benesses tipicamente eleitoreiras sem exigir contrapartida do beneficiário, o governo se prepara para oferecer telefone celular gratuito, com um crédito de R$ 7,00 mensais, aos 11 milhões de filiados ao Bolsa Família. A idéia é garantir o acesso dos carentes à telefonia para que, com o aparelho na mão, possam tratar mais facilmente de suas emergências. A ação encontra resistência. A oposição vê apenas o objetivo de caçar popularidade para o presidente Lula e votos para aqueles que ele vier a apoiar nas eleições do próximo ano. O Bolsa Família é um dos responsáveis pela popularidade do presidente, capaz de blindá-lo inclusive das muitas trapalhadas ocorridas dentro do seu governo. Pode até representar um avanço social, mas deve apertar os mecanismos de controle para evitar que, em vez de uma alavanca para o resgate dos pobres, se transforme numa esmola perene e motivo de conformismo e desmotivação. O beneficiário precisa oferecer alguma contrapartida estudar os filhos, vaciná-los, buscar qualificação profissional para merecer a ajuda e poder recebê-la com dignidade. Quanto ao celular, da forma que se propõe entregá-lo ao povo, o tiro pode sair pela culatra. Todos sabemos o quanto custa manter um telefone celular, seja ele pré ou pós-pago. O valor do minuto falado é altíssimo em relação ao da telefônica fixa. Com os R$ 7,00 de crédito oferecido pelo governo o usuário poderá falar pouco mais do que o "alô". Se quiser mais, terá de pagar mas, como não tem dinheiro (parte de sua renda é o Bolsa Família), ficará frustrado, tendo em mãos um artefato sem utilidade no seu dia-a-dia. Também terá de carregá-lo na eletricidade (o que também é um gasto) e transportá-lo para onde for sem gozar das facilidades que o sistema oferece. É lógico que ainda lhe restará a opção de chamar a polícia, a ambulância e outros serviços gratuitos. Mas isso é pouco... Todo governo tem a obrigação de promover social e economicamente as populações carentes. As diferentes "bolsas" são um começo mas não podem ser eternas, benefício para toda a vida. Há que se ter sensibilidade para encontrar a real necessidade de ajuda e aplicá-la. Além de receber as ajudas oficiais, as famílias beneficiadas têm de encontrar condições de acesso ao mercado de trabalho para seus membros para, com isso, cederem lugar nos programas a outros supostos necessitados e deixarem a condição de assistidos e de prováveis presas eleitoreiras. Se nada fizer de efetivo para incluir os atuais carentes na atividade econômica e no mercado o Brasil estará criando um grande fosso, tendo ao lado a sociedade que paga impostos cada dia mais altos e, no fundo, os excluídos, transformados em massa de manobra principalmente para os políticos. Só teremos adquirido maioridade econômica quando não tivermos mais de oferecer benefícios que se pareçam com esmolas. Cada qual tem de encontrar sua oportunidade de trabalho e renda e ele próprio adquirir seus confortos e bens. Quando isso ocorrer, poderemos dizer que o Brasil chegou ao seu tão sonhado grande destino. Dirceu Cardoso Gonçalves Tenente, diretor Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo

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