Nos últimos cem dias, 13 famílias tiveram a vida marcada por assaltos violentos. Suas casas foram reviradas. Homens, mulheres e crianças agredidos e ameaçados de morte sob a mira de revólveres.
Esta semana, o Comércio ouviu todas as vítimas. A maioria preferiu não gravar entrevista por medo dos assaltantes que ainda estão à solta ou simplesmente para evitar relembrar momentos de terror vividos nas mãos dos bandidos. "Você sabe o que é ver o filho ser espancado na sua frente ou sua única filha ter uma arma na barriga e não poder fazer nada?", perguntou uma dona de casa, vítima no Bairro Esplanada Primo Meneghetti em outubro.
Seis delas, no entanto, contaram como a experiência transformou seu dia a dia em uma rotina de medo e como passaram a temer o retorno para casa. Todas dão voltas no quarteirão, observam ruas e terrenos baldios e rezam quando têm de abrir o portão. De acordo com a polícia, na maioria das ocorrências os assaltantes aproveitam a entrada ou saída de um dos moradores para render as vítimas.
Algumas decidiram mudar de endereço e planejam se refugiar em apartamentos e condomínios fechados, que consideram mais seguros. Outras reforçaram a segurança com câmeras, cercas elétricas e alarmes em busca de tranquilidade. "A gente tem todos os equipamentos de segurança, mas não adianta. Vivo tenso, assustado com qualquer barulhinho", disse um comerciante, vítima no Residencial Espraiado em novembro.
Nem durante o dia, as vítimas relaxam. Mantêm os portões bem fechados até ter certeza de que podem confiar no visitante. "A gente olha para as pessoas e fica imaginando se o assaltante é esse ou aquele", disse um empresário, vítima no Jardim Francano em agosto.
Além de receosas, as vítimas se dizem indignadas por terem sua intimidade revirada por marginais. "Sua casa, sua vida é revirada. Não dá para esquecer", afirmou uma dona de casa, vítima no Recanto Elimar também em agosto.
<B>DESCRENÇA</B>
Na última sexta-feira, policiais da DIG (Delegacia e Investigações Gerais) apontaram três homens como sendo os autores de pelo menos seis assaltos violentos na cidade nos últimos meses: Denilson Luís da Silva Batista, 24, o "Denilsinho", José Carlos Batista Engani, 35, o "Carlinho", e Luís Gustavo de Freitas Cássio, 26, até agora o único preso.
Apesar de reconhecer o esforço da polícia, as vítimas parecem não acreditar que o problema se resolva facilmente. "De que adianta? Eles prendem um e já surgem outros. Não posso culpar a polícia", disse uma delas. A opinião que é seguida por outras duas: "Não tem como. Eles não podem fazer nada", afirmaram em coro.
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<B>OUTROS CASOS</B>
Além dos 13 assaltos a residências, outras duas ocorrências surpreenderam a polícia pela violência. Em 6 de novembro, Geraldo Américo Taveira, um dos dono de uma imobiliária no Bairro Cidade Nova, foi baleado ao reagir a um assalto. O empresário foi atingido no braço esquerdo e na perna direita.
No mesmo dia, três homens armados renderam três pessoas num escritório de representação de calçados no Bairro Santa Rita. As vítimas tiveram as mãos e os pés amarrados com fitas adesivas e foram trancadas no banheiro. Uma delas, foi agredida com socos e chutes, enquanto era obrigada a carregar um pesado cofre da empresa.
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