O silêncio imposto pela Prefeitura ao feirante Paulo César Gadini, 44, o Paulinho, foi o tema principal de conversas nos tradicionais cafés, na Praça Barão, e na feira. A notícia da proibição também foi a mais comentada no site do Comércio da Franca. Uma enquete feita para ouvir a opinião do leitores mostrou que a grande maioria não se importa com os gritos.
Logo cedo, um morador da Rua José Bonifácio saiu de casa e foi correndo até as barracas com o jornal nas mãos para mostrar a reportagem aos feirantes. “Ele veio falar com a gente e achou um absurdo a proibição. Quase todas as pessoas que passaram na banca comentaram a respeito. Eu não vejo problema nenhum e não me incomodo com os gritos. Tem que deixar ele trabalhar”, comentou o feirante Rodrigo Carreiras. Paulinho trabalha apenas nas feiras de quinta, sábado e domingo.
No ranking diário feito pela Produção de Internet do Comércio, a notícia foi acessada por mais de 1,4 mil leitores até as 16h45. Alguns deixaram seus comentários. O professor José Antônio Lomônaco escreveu que o Setor de Fiscalização age em desrespeito à lei, à moral e aos bons costumes. “Ofertar produtos aos gritos é prática que vem desde os primórdios da feira livre, na Grécia antiga, há alguns milhares de anos”.
Já o leitor Alexandre Ribeiro, ficou do lado da fiscalização. Ele citou que há abusos maiores, mas que as pequenas infrações não podem ser ignoradas. “A fiscalização faz o certo em barrar o abusado, afinal algazarra é crime, o barulho além de perturbação, atrapalha a vida e administração alheia”.
Na enquete realizada no site do jornal, 73% dos participantes disseram não se importar com gritos na feira. O restante acha ruim ou nem percebe.
Polêmica à parte, a Prefeitura não voltou atrás em sua decisão. A secretária de Urbanismo, Valéria Marson, reforçou que o feirante havia sido advertido verbalmente várias vezes e que não atendeu aos pedidos para baixar a voz. “Estamos conversando com ele desde abril por causa das constantes reclamações. Como não atendeu, fizemos o auto de advertência. Ele precisa entender que todos têm direito de trabalhar. Ele pode até falar, mas sem atrapalhar as pessoas que estão na vizinhança. É preciso respeito”. Apesar de afirmar que foram registradas muitas reclamações, quando questionada sobre o número exato de queixas em relação aos gritos do feirante, Valéria não soube informar.
O advogado Jépy Pereira disse que tentará resolver o problema amigavelmente com a Prefeitura e que, se não houver acordo, ingressará com uma ação na Justiça de obrigação de não fazer acumulada com multa e danos morais.
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