Lunáticos do Interior de SP


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O notável avanço das praças de pedágio e até o acidente nas obras do Rodoanel são temas de menor sensibilidade na população do Interior Paulista. O efeito negativo da expansão do pedágio é compensado pela imagem já construída de boas estradas em São Paulo. Investigador de polícia é morto com cinco tiros dentro de um supermercado em Araçatuba. Três policiais militares são mortos a tiros de fuzil ao abordar suspeito em carro na Grande São Paulo. Na Baixada Santista, policial militar é morto com 20 tiros de metralhadora. Em Osasco, policial militar é morto com pelo menos seis tiros de fuzil em frente à sua casa. São todos casos recentes. Os jornais vão noticiando mortes de policiais, uma a uma, como se fossem casos isolados. Mas esse é no momento um dos focos potenciais de desgaste político do governo do Estado. O notável avanço das praças de pedágio e até o acidente nas obras do Rodoanel são temas de menor sensibilidade na população do Interior Paulista. O efeito negativo da expansão do pedágio é compensado pela imagem já construída de boas estradas em São Paulo. E o Rodoanel é tema que pode ser contornado, ainda mais com uma oposição que terá um apagão nacional para explicar. O grande gargalo político do governador José Serra, se as estatísticas não mudarem para melhor, é mesmo a segurança pública. Os sinais nesse sentido vêm da Assembléia Legislativa. O deputado Conte Lopes (PTB), capitão da Polícia Militar que atuou como membro da CPI do Crime Organizado (1997) e CPI do Narcotráfico (1999), diz que policiais estão sendo mortos por fuzis americanos e russos, cuja força do tiro fura colete à prova de balas e carro forte. “Este tipo de armamento entra pela falta de controle, fiscalização e investigação nos roubos de armas”. Denúncia muito séria. Olimpio Gomes (PDT), que foi oficial da Polícia Militar por 29 anos, diz que “há preocupação de não admitir a existência de crime organizado em São Paulo”. Edson Ferrarini (PTB), coronel da reserva da PM, diz que está havendo omissão por parte do Estado. E os partidos de oposição batem forte. Carlos Giannazi (PSOL) diz que a situação é de “calamidade pública”. Para Vanderlei Siraque (PT), o Estado está perdendo espaço para as organizações criminosas que agem nos presídios. E assim por diante. Não houve, nas últimas semanas, um único pronunciamento da bancada do PSDB em apoio aos números divulgados pela Secretaria da Segurança Pública e que pregam melhora no quadro de violência. É quando o silêncio diz tudo. E o governo não aprendeu a se comunicar sobre o assunto com a opinião pública. Outro dia, em Rio Preto, o secretário de Justiça, Luiz Antonio Marrey, saiu-se com essa sobre a instalação de novos presídios na região: “Muitos prefeitos querem o presídio na Lua, no planeta Marte”, segundo publicou o Diário da Região. Chamou os prefeitos de lunáticos porque estão defendendo interesses de suas populações. Ao todo, serão 44 novas unidades prisionais no Interior. “As pessoas precisam se conscientizar que, infelizmente, os presídios são equipamentos necessários”, queixou-se Marrey. Vai ser difícil convencer. A maioria das cidades não digeriu a política pós-Carandiru, que “regionalizou” o sistema presidiário em São Paulo. Questão política não resolvida. Moradores não entendem como, de repente, passaram a conviver com centros de gravitação do crime organizado ao seu redor que agravaram sim os índices de criminalidade locais. <b>COFRE ABERTO</b> Serra deve anunciar nesta quarta-feira linha de crédito dirigido às prefeituras. De início, serão liberados R$ 150 milhões, para projetos de infra-estrutura viária, como pavimentação e recapeamento de ruas e estradas. A taxa de juros será de 8% ao ano pelo prazo de até 60 meses, menor que a média praticada por outros bancos no mercado. Municípios interessados devem se apresentar à Nossa Caixa Desenvolvimento até dezembro. <b>EMPREGOS</b> Franca vive um bom momento na sua economia. O total de empregos criados em outubro foi o maior do Interior Paulista, segundo dados do Caged divulgados pelo jornal Comércio da Franca. Nos dez meses do ano, foram criados 12.427 postos de trabalho, devido especialmente a recuperação do setor calçadista, o que confirma a análise do Ciesp destacada domingo nesta coluna e que situa Franca como uma das poucas cidades com crescimento nas exportações no Interior. <b>REGIONAIS EM ALTA</b> Quem pensa que só existem Visa e Mastercard no segmento de cartões de crédito e de benefícios, está enganado. O País tem cerca de 40 bandeiras regionais, que crescem em média 30% ao ano, mais que o mercado como um todo, segundo o jornal Brasil Econômico. Hipercard é a maior entre elas. <b>Wilson Marini</b> <i>wmarini@apj.inf.br</i>

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