O meio ambiente, com a sua intensa deterioração, tem sido objeto de preocupação crescente de especialistas e de cidadãos conscientes da necessidade de participar e contribuir com a mudança dessa realidade.
Entretanto, para avançarmos na questão, mais do que atos governamentais, é necessário o engajamento das estruturas organizadas da sociedade civil. Dessa forma, é alvissareiro o evento ocorrido em 3 de novembro, na Inglaterra, reunindo nove das religiões mais difundidas no mundo e que assumiram compromissos com medidas para frear as mudanças climáticas.
Esse evento, patrocinado pelo PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), tem um valor excepcional. Estavam presentes líderes do cristianismo, islamismo, judaísmo, hinduísmo, budismo, sikhismo, taoísmo, xintoísmo e da fé bahá`í (religião monoteísta fundada na Pérsia, no séc. XIX). A importância do evento se dá na medida em que as religiões têm uma enorme força nos valores com que, cidadãos em todo o mundo, entendem e praticam seus direitos e obrigações no dia a dia.
A expectativa é que uma enorme estrutura, espalhada por todo o mundo, repercuta em suas comunidades os problemas ambientais e suas possíveis soluções. Acredita-se que isso tenha mais força do que a lei, indubitavelmente impositiva. Na verdade, não podemos ignorar a ascendência que a maioria dos líderes religiosos tem em suas comunidades. Portanto, bem orientados pela ciência e comprometidos com suas bases filosófico-religiosas, poderão contribuir para um novo comportamento ambiental. Assim também pensa o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, que, no encontro, lembrou que as instituições religiosas estão entre as mais antigas e duradouras do mundo e podem `dar um exemplo de estilo de vida para milhões de pessoas`.
A importância das instituições religiosas na questão ambiental - como em muitas outras - pode ser medida também por números, conforme ressaltou o diretor da PNUD, Olav Kjorven, dizendo que as religiões possuem até oito por cento da terra habitável do planeta e cinco por cento das florestas comerciais. Além disso, contribuem com mais da metade das escolas no mundo e são responsáveis por 7% dos investimentos globais.
Interessante observar que os líderes religiosos apresentaram, no encontro, documentos detalhando seus compromissos. O documento judeu, por exemplo, estabelece que até 2015 seus seguidores deverão mudar o modo de viajar, construir e utilizar os recursos naturais. Os luteranos plantarão 8,5 milhões de árvores em torno do monte Kilimanjaro, os taoístas anunciaram a instalação de sistemas de energia solar em 1,5 mil templos na China e assim por diante.
Poderemos, em breve, presenciar uma ampla campanha global de defesa do meio ambiente através de ações pontuais, mas que, indiscutivelmente, levarão a reflexões mais amplas e que poderão gerar outras ações mais abrangentes. É dessa forma que a humanidade se move e recondiciona atitudes.
Cassiano Pimentel
Agente de Exportação e Professor Universitário
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