Coisas de futebol


| Tempo de leitura: 2 min
Sou reconhecidamente um apaixonado pelo futebol. Nasci e cresci assistindo e jogando. Fui bastante incentivado pelo Sr. Luiz, meu pai, um corintiano fervoroso. As minhas filhas escolheram livremente seus times preferidos. A Rafaella escolheu o Palmeiras. Larissa se tornou corintiana fanática. Quero tratar de um problema importante e eterno do futebol: os constantes erros de arbitragem. Em cada rodada do Campeonato Brasileiro o que acaba sendo discutido pela mídia esportiva com mais intensidade não são os gols, ou as grandes jogadas, a torcida ou os resultados obtidos pelos times. Efetivamente, o que toma mais espaço nos debates esportivos são os repetidos erros dos árbitros e dos seus assistentes, antigamente chamados de juízes e bandeirinhas. A toda poderosa FIFA, entidade maior do futebol, inexplicavelmente nega-se a adotar mecanismos eletrônicos ou usar imagens par facilitar o trabalho dos árbitros. A adoção de tais dispositivos certamente contribuiria para minimizar os constantes e indesejados erros de árbitros e assistentes. Para alguns a utilização de imagens e dispositivos eletrônicos (como o chip na bola) eliminaria os erros, mas também eliminaria a discussão e o debate que, na visão de muitos, fazem o charme e garantem interesse pelo futebol. Gols de mãos ou em impedimento, pênaltis anotados que não ocorreram ou que ocorreram e deixaram de ser marcados são ocorrências rotineiras, infelizmente. Por outro lado, os recursos eletrônicos adotados nas transmissões pelos canais de TV acabam por desnudar ainda mais os erros, propiciando o aparecimento de um novo personagem que foi, inclusive, apelidado pelo comentarista de arbitragem da Rede Globo, Arnaldo César Coelho, de tele-árbitros. Todos sabem que para a maioria dos dirigentes de clubes do Brasil o futebol deixou de ser um esporte e passou a ser um atraente e rentável negócio. Porém, quando produz erro a favor do seu time o fato é tratado como decorrência da natureza falível do ser humano, mas, se é contra seus interesses vai parar nos tribunais com pedidos de indenizações por danos morais e materiais. Ainda neste último final de semana, o respeitado presidente do Palmeiras, descontrolado emocionalmente, declarou em público que o Palmeiras irá processar o arbitro Carlos Simon, que anulou gol do atacante Obina, reconhecido como legítimo, em jogo contra o Fluminense. Esqueceu, porém, o nobre presidente do Palmeiras, que na semana anterior, segundo unânime crônica esportiva, seu time teria sido beneficiado pela arbitragem em jogo contra o Corinthians. Torço para que os erros tão comuns que ora prejudicam e ora favorecem indistintamente a todos, decorram da natureza humana do árbitro e de seus assistentes e não sejam atos propositais e decorrentes de interesses condenáveis, como ocorreu no Campeonato Brasileiro de 2005. <b>Setímio Salerno Miguel</b> <i>Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca.</i>

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários