As profundas mudanças que acontecem na áre produtiva da indústria de calçados estão presentes, também, na parte de comercialização, embora pouca gente esteja prestando atenção ao fato. Na produção são mais visíveis, seja na parte de tecnologia e métodos, sejam na de materiais usados.
Do mesmo modo como o tempo acabou com a categoria de caixeiros-viajantes, com seus guarda-pós à prova das fagulhas das locomotivas movidas a lenha, também a categoria de representantes comerciais, tais como funcionam hoje, está fadada a desaparecer, e não vai demorar muito. Quando a nova geração de gerentes comerciais egressos das faculdades e dos estágios no exterior assumirem o comando das organizações de cadeias de lojas ou até de lojas individuais, elementos desde crianças familiarizados com informática, informações e comunicações instantâneas, vão enxergar nos representantes antes um estorvo nas atividades do que ajuda.
O dirigente que precisa de informação instantânea para o que vai necessitar de representante como intermediário entre fornecedor e a firma dele? Buscará a informação exata, não deformada pela comunicação pessoal via terceiro - imediata, na hora! Não terá paciência de esperar um mês até o representante fazer a visita rotineira.
As visitas rotineiras serviam, por exemplo, para cobranças de duplicatas em atraso, quando os bancos não se comunicavam entre si e a cobrança pessoal tinha sua validade. Mas hoje? À meia noite já sei se o título foi ou não foi pago no dia de vencimento. As informações sobre a idoneidade financeira e comercial do meu novo cliente estão ao alcance de poucos toques de teclado de meu computador pessoal.
Para que os compradores precisarão de tiradores de pedidos se podem comunicar-se instantaneamente com o fornecedor, receber a confirmação da recepção do pedido, acompanhada de datas de embarque, tudo em segundos? Quando, eu comprador, conhecendo a reputação do fornecedor como confiável, posso olhar o mostruário em questão de segundos na tela do meu computador, na hora em que tiver disposição para tanto ou me sobrar o tempo, sem ter que agendar com dias de antecedência uma recepção do representante comercial se a tecnologia me permite usar o zoom para ver os detalhes dos modelos na tela, girar para todos os ângulos imagináveis sem pega-los na mão? Quanta facilidade e economia do tempo, essa commodity cada vez mais escassa!
Sei perfeitamente em que ninho de marimbondos me meti desta vez com minhas afirmações. Mas, senhores, fingir-se de morto é o caminho mais rápido para o cemitério das empresas. Preciso citar os nomes dos obituários dos últimos tempos? Ou daqueles que estão na UTI, e pior ainda, daqueles que estão lá e ainda não se deram conta disso.
Parece inconcebível que no primeiro decênio do terceiro milênio ainda temos firmas e firmas respeitáveis que não possuem departamento de vendas organizado para a nova realidade. Seus departamentos são do século passado e isso remete a uma semana para aprovar e liberar o pedido e outra semana para passar à programação de produção onde o comprador é o último a saber quantos e quais materiais irá precisar para executar estes pedidos.
E isso acontece em plena era da informática. Os computadores existentes, no entanto, são usados para mandar mensagens de fofocas de uma mesa para outra, na mesma sala, para não chamar atenção.
Esta mesma informática decretou a morte dos representantes comerciais tais quais os conhecemos hoje. O carrasco se chama internet e só não agiu com toda força até agora porque os seus usuários, nas duas pontas, ainda não apreenderam a usá-la ou ainda não descobriram o quanto pode agilizar negócios. Oferecendo ou comprando. Mas este aprendizado é questão de pouco tempo.
O fenômeno curioso é que a indústria de calçados vive de copiar um do outro. E embora já tenhamos firmas que estão chegando bem perto da informatização total, isto ainda não foi devidamente divulgado, em boa parte justamente para evitar a cópia e levar a vantagem do pioneirismo sobre os competidores.
Sobre isso, pessoalmente, não tenho nenhuma dúvida. Lembro de numerosas ocasiões quando sugeri e a reação foi a mesma: `Alguém já fez isso? Onde posso ver?`. O medo de inovação é que está tirando a competitividade da indústria de calçados brasileira no contexto global. Enquanto determinada firma norte-americana vendeu, sozinha, oito bilhões de dólares de calçados pela internet em 2008, os nossos representantes comerciais só não viajam por Maria-Fumaça porque a coitada já não circula mais.
<b>MAIS 90 LOJAS PRÓPRIAS<b>
A subsidiária da Adidas na Índia diz que planeja aumentar o número de lojas sob administração própria para até 600 antes do fim do ano. Andréas Gellner, diretor da Adidas India Marketing Ltd., declarou que até dezembro desde ano serão abertas mais 90 lojas nas cidades indianas, o que totalizará 600 lojas com as 510 já existentes. Declarou que vê grande potencial de crescimento nas cidades de segundo nível e que não hesitará em fechar as lojas cujos resultados forem desapontadores ou cujos aluguéis forem excessivos.
<b>CRESCIMENTO DE 30%</b>
Confirmou a opinião que a Índia está ainda a cinco ou seis anos do ponto de se tornar maior contribuidor para negÓcio global da Adidas como `organizada penetração do varejo` (em contraste com compras que têm lugar nos lojas muito pequenas ou estandes nos mercados) e que representam somente 4% do total dos negócios. Mas, de qualquer modo o mercado indiano cresceu fortes 30% para Adidas nos primeiros oito meses deste ano.
<b>Zdenek Pracuch</b>
<i>Sapateiro, shoemaker</i>
pracuch@comerciodafranca.com.br
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