Um passado envolto em drogas


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No dia 9 de dezembro Claudinei terá uma audiência na Vara da Família em Franca. A mulher pediu separação. Se tiver que sair de casa, já prevê que será o fim, a “corda no pescoço”, como disse. “Quem olha para um viciado não consegue enxergar mais nada que um bandido, um vagabundo. Mas você acha que eu quero perder minha família, meus filhos? Eu quero me tratar, mas não consigo; não tenho força. Às vezes penso que algum médico, algum psiquiatra, poderia me indicar um caminho, porque eu mesmo não tenho nenhum fio para me agarrar. Eu estou morrendo”. Claudinei passou por quatro casas de recuperação, mas saiu de todas antes de completar o tratamento. Em duas oportunidades, ficou apenas um mês em cada uma. Em outras duas, não passou de três dias. Tem dificuldades em ser novamente aceito. Sem documentos, não consegue arrumar emprego. Não tem ideia de onde estão seu RG, seu CPF, sua carteira profissional deixados nas mãos de vendedores de drogas como garantia de que voltará para pagar a dívida. Perdeu sua identidade de papel muito depois da sua própria. “Não tenho nenhum amigo. Ninguém se aproxima de mim. Sou um transtorno para todo mundo”. O filho mais velho, de 17 anos, funcionário de um lava a jato durante o dia e estudante do ensino médio à noite, não conversa mais com o pai. Acha que todas as chances que teve para fugir do crack foram desprezadas por Claudinei. O pai de Claudinei também desistiu de ajudá-lo. Há três meses não se encontram, não se veem. Mesmo quando ainda eram “pai e filho”, a relação já era azeda por causa do vício de Claudinei. O homem que pouco sorria, abriu mão da convivência com o filho e hoje tem outra família. Na última tentativa de encontro, teria abortado a aproximação do filho com um pedaço de pau na mão. Claudinei ainda segura uma fotografia em três por quatro tirada em janeiro. Rosto cheio, cabelos assentados, diz que esse era ele. Hoje não se olha mais no espelho, não dorme direito. No dia em que estivemos em sua casa, os filhos nos olhavam, repórter e fotógrafa, com ares de dúvida, como se também quisessem pedir alguma coisa. “Nem sempre fui esse monstro que eu sou hoje. Eu tinha a minha família, minhas coisas, minhas roupas, minha vida. Era uma pessoa honesta, um rapaz bom. Maldita a hora em que conheci o crack. Estou acabado”.

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